Informação ao Crucificado -

    Carlos Heitor Cony

    Nova Fronteira
    2021
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9786556400617
    Português Brasileiro

    Um dos livros mais celebrados e polêmicos de Carlos Heitor Cony, "Informação ao crucificado" apresenta ao leitor o diário do jovem seminarista João Falcão, que tem sua fé abalada por dúvidas, tentações e a difícil convivência com colegas e superiores, em meio a um clima velado de disputas e intrigas. Esse registro pessoal do desencanto com a vida religiosa se assemelha à história do próprio Cony, que, ainda adolescente, se viu atraído pela "beleza do sacerdócio", mas depois abandonou a trajetória eclesiástica. Situado em meio à ficção e a autobiografia, o romance poderia perfeitamente ser classificado como quase memória, bem ao gosto do autor. Esta nova edição conta com prefácio do crítico literário André Seffrin.

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    Otávio Palmeira picture
    Otávio Palmeira07/08/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Onde mora Deus para você? O que é Deus para você? Espiritualidade, eternidade e religião são questões tão poderosas dentro das mentes humanas que é impossível padronizar sentimentos em relação a isso. Muitos anos atrás, quando ainda era católico praticante, cogitei, por um breve momento, dentro da minha mente, tornar-me padre. A ideia não evoluiu, obviamente, mas foi inevitável encontrar aqui alguém que pensava como eu em muitos sentidos. Publicado em 1961, "Informação ao crucificado" é, juntamente com "Quase Memória", um dos livros mais autobiográficos do carioca Carlos Heitor Cony. Nele, acompanhamos os diários de João Falcão, um seminarista que registra suas tristezas, alegrias e angústias ao longo de dois anos de estudos e de sua formação como sacerdote católico. Em uma escrita direta, mas muito filosófica e poética, Cony mostra um pouco de sua própria alma refletida em João Falcão. Mostra também suas críticas à Igreja, suas incongruências, burocracias e estruturas arcaicas (muitas que perduram até hoje). É a alma humana vivendo sob a dor da dúvida, da incerteza, de uma fé que não se sustenta por si e torna o simples ato de questionar um crime. Gostei muito de "Quase Memória" e acertei ao acreditar que gostaria também dessa obra. Particularmente, muitas passagens me alcançaram naquele lugar de dúvida que tive em relação à fé católica e que, assim como João Falcão, me fizeram questionar e não encontrar as respostas que procurava. Livro curto e rápido de ler, mas de uma profundidade tamanha que deixa marcas em quem lê. Para quem não conhece a obra de Cony, acho uma ótima porta de entrada, tanto para entender um pouco da alma do autor quanto para ver um retrato específico do Rio de Janeiro dos anos 40 e 50 e, claro, das rotinas internas da Igreja. Mais do que um questionamento de fé, um questionamento de humanidade.

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