Sempre evito dar spoiler, mas essa resenha será impossível.
Ao começar a ler, imaginei que seria o primeiro livro dela que leria com personagens mais humildes, classe C talvez. Ainda não foi dessa vez. A autora é como o Manoel Carlos dos romances lésbicos: todo mundo mora bem e a maioria, com grana. Acredito que seja um recurso que facilite a escrita a fim de focar no romance. Apesar disso, esse é o primeiro livro que tem um background mais rico. Embora, acredito eu, seja seu primeiro livro, tem uma elaboração maior do entorno social, envolvimento com outras pessoas, atividades de trabalho etc. das personagens. Sinto que isso se perde nos livros mais recentes, mas que os tornam mais palatáveis ao que se propõe: livros leves e que a única preocupação é o melodrama romântico. Esse livro foi o primeiro que li da autora a não ter um foco exclusivo no casal. As outras histórias acabam se entrelaçando. Obviamente, suas participações são entrecortadas pela importância que tem com as personagens principais: Scarlet e Joy.
De todos as outras obras, sinto que essa é um pouco mais parada. Demora muito das coisas acontecerem e o desenvolvimento do interesse entre elas começar a ser relatado no livro. Quando acontece de Scarlet tomar iniciativa, pra mim enquanto leitora, ela acaba dando passos pra trás ao querer conversar com a mulher que já estava entregue e de mãos dadas com ela só esperando um beijo na boca. Ali foi uma situação enfadonha pra depois de 1 semana se conhecendo e da primeira noite sede sexo, Scarlet surtar e querer que Joy não somente a assuma, como assuma a sua sexualidade. Acredito que seja um livro extremamente datado por esta razão. Discute-se demais sobre não tirar ninguém do armário e Joy já lhe havia dito não ter intenção de fazê-lo tão prontamente. Ninguém transa uma vez com outra pessoa e já sai assumindo relacionamento e ali tinha um agravante que a parceira tinha um cargo público e ainda não tinha se revelado para a comunidade. Nesse momento tive de segurar a leitura pra conseguir concluir, pois revirei muito os olhos pra essa situação. Outra coisa datada, é o white peoples problems de Scarlet “foi uma benção meu apartamento ser alagado”.
Considero esse livro morno e muito parado. Ela tem melhores. E acho que precisa fazer livros sem que tenha personagens querendo salvar a outra pessoa. Terapia é sempre bem vinda e ninguém tem que ser ONG de ninguém.