Até que tenhamos rostos -

    C. S. Lewis

    Thomas Nelson Brasil
    2021
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9786556894720
    Português Brasileiro

    Intrigante, comovente, revelador. Esses são alguns dos adjetivos que podem descrever Até que tenhamos rostos, livro no qual C. S. Lewis, com seu brilhantismo característico, realiza uma releitura do famoso mito de Cupido – deus imortal – e Psique – humana que, de tão bela, atrai o desejo e a inveja dos deuses. O autor localiza sua narrativa no reino fictício de Glome e subverte a perspectiva tradicional ao relatar a história a partir do ponto de vista de Orual, a rejeitada irmã de Psique. Escrito perto do fim de sua carreira literária, o livro é a demonstração da maestria de Lewis na arte da composição, contendo uma intrincada narrativa que versa sobre a inveja, a culpa e o luto. Traço comum em suas obras, o autor não se restringe a utilizar as palavras como espelho, em que o leitor reconhece a natureza humana e sua falibilidade, mas, transcendendo, aponta para algo além de nós mesmos, através de profundas reflexões acerca do papel que o divino exerce em nossas vidas. Esta é, para muitos, a melhor e mais madura obra de um dos gênios da literatura.

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    Pedro Henrique De Oliveira picture
    Pedro Henrique De Oliveira14/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha de "Até que tenhamos rostos"

    Após uma vida melancólica e repleta de traumas, Orual, a princesa das pequenas terras de Glome, decide escrever a história de sua vida em um livro para acusar os deuses e provar a injustiça deles contra ela. No entanto, depois de narrar os acontecimentos, a princesa passa a refletir sobre as suas próprias atitudes e crenças. Escrito por C.S Lewis, famoso autor de Nárnia, “Até que tenhamos rostos” é uma releitura do conto de [*****]pido e Psique, do século II D.C. Sobre o livro, narrado em primeira pessoa, tem-se um desenvolvimento muito bem cadenciado, o qual não se apressa com os acontecimentos e explora, minunciosamente, como Orual, a protagonista, tem, conforme o tempo, seus sentimentos cada vez mais corrompidos pela amargura. Nesse contexto, há aqui uma construção ímpar da personalidade de uma personagem que, durante toda a vida, sofreu com inseguranças e abusos psicológicos, os quais afetaram a forma de amar da própria. Assim, apesar de o livro conter uma ótima ambientação, amplamente requintada pela capacidade imaginativa de Lewis, o grande destaque da obra acaba por encontrar-se quase que inteiramente nessa construção do caráter de Orual e em como ela responde a cada trauma. Em outro momento, deve ser ressaltada a alta carga simbólica em toda a história. Tal elemento é facilmente identificado desde as primeiras páginas, as quais, ao modo lewisiano de ser, conseguem misturar quase que perfeitamente a alegoria com o romance, enquanto exploram toda uma gama de interpretações possíveis para o leitor. Tudo exposto, talvez o único ponto negativo da obra seja o fato de, justamente pela falta de pressa durante toda a narrativa, alguns momentos acabam por parecer um tanto quanto prolixos e demorados, mas nada que tire todo o impacto e a imersão geral da história. “Até que tenhamos rostos” é um livro profundo, carregado de simbolismos e sentimentos, o qual encanta e imerge o leitor desde as primeiras páginas. Vale a pena a leitura. Nota: 8,65 Instagram: @aprendilendo_

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