O Iluminismo, termo que agrupa os pensadores progressistas do século 18, projetou no indivíduo o foco de sua luta pela liberdade. Contra o absolutismo do estado e o pensamento único da religião, os iluministas procuraram uma cura na negação. Rousseau, luminar desse grupo, elegeu a natureza como conceito duplamente potente. Por um lado, ela oferece a imagem de uma condição original, pura e íntegra, em oposição à sociedade, fonte das corrupções. Por outro, na natureza o homem seria livre, pois não teria trocado ainda sua autonomia pela falsa promessa de proteção. Esta liberdade na origem não seria apenas de escolha, mas também implica a igualdade de direitos, incluindo o de ser (e pensar) diferente. Acusado de ingênuo, Rousseau manteve-se vital por ser, ao contrário, astuto, por duvidar do discurso que exalta somente os benefícios do progresso e por situar a liberdade acima da retórica.


