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    Marina Lima: Fullgás (O Livro do Disco) -

    Renato Gonçalves

    Cobogó
    2022
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9786556910789
    Português Brasileiro
    4.6
    7 avaliações
    Leram8Lendo3Querem15Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos2Desejados15Avaliaram7

    Lançado em 1984, o disco Fullgás materializa o espírito de seu tempo – um momento de transição democrática e ampliação das liberdades individuais na sociedade brasileira após vinte anos de ditadura militar. O país estava em ebulição, combustão e efervescência, alguns dos sentidos carregados pelo termo que nomeia o álbum e sua canção de abertura: full gas, remetendo a um tanque de combustível completamente abastecido, pronto para uma longa jornada. No livro Marina Lima: Fullgás, da coleção O Livro do Disco, o escritor e pesquisador Renato Gonçalves traz uma escuta atenta do LP que, numa combinação de rock, pop e MPB, vendeu mais de 250 mil cópias. Da leitura do “Manifesto Fullgás”, assinado por Marina e seu irmão, o poeta Antonio Cicero, à análise das faixas das músicas, o autor aborda as representações de gênero, os sentidos políticos e a linguagem pop presentes nas canções.

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    Rafael Gurgel picture
    Rafael Gurgel08/12/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Fullgás" é um álbum de Marina Lima lançado em 1984, que conta com composições da própria e seu irmão Antônio Cícero, mas também algumas de Lobão, Nelson Motta, Erasmo e Roberto Carlos. Era um momento não apenas marcado pela transição entre o fim da ditadura militar e início da redemocratização, como por uma ebulição cultural/comportamental que se expressava no rock nacional (forte marca dos anos 80) e na força que o então movimento GLS começava a ganhar após anos de silenciamento pelo regime de exceção. O livro é excelente em situar o álbum nesse contexto - inclusive espelhando-o com álbuns posteriores de Marina onde o otimismo aqui expressado já não estaria latente - e em destrinchar os procedimentos estilísticos da cantora: o uso de interjeições marcando a função emotiva da linguagem, a repetição de termos reforçando o que é dito e a informalidade que se revelava nos registros de improvisação. Um trecho que me chamou especial atenção fala de como, na regravação de "Mesmo Que Seja Eu", Marina, ligada à economia (talvez fugacidade) da linguagem pop, retira os versos "filosofia é poesia / é o que dizia minha avó", bem como coloca intenções de flerte na canção, deixando claro que esse homem podia ser ela - tornando a canção evidentemente homoerótica. Renato deixa bem claro, tanto recuperando o "Manifesto Fullgás" que acompanhava o encarte do disco quanto diversas entrevistas de Marina, que o álbum falava de um novo país, um Brasil possível, mas através de uma subjetividade radical, marcada sobretudo por canções de amor embaladas numa produção pop - ou seja: global, cosmopolita. Enfim, um livro que situa o álbum em seu tempo e na própria biografia de Marina, trazendo à tona o que era caro à cantora no registro. Leiam!

    2 curtidas

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