Memórias de um editor -

    Kurt Wolff

    Âyiné
    2023
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9786559980703
    Português Brasileiro

    Kurt Wolff (1887-1963) foi um dos mais importantes editores do século XX. A editora que levava seu nome, fundada em Leipzig em 1913 após uma breve parceria editorial com Ernst Rowohlt, foi atuante em várias frentes da cultura expressionista e mitteleuropa. Desde o início, de fato, Wolff se vê circundado, direta ou indiretamente, por personagens que terão uma influência duradoura na cultura alemã e europeia: se pense em Franz Werfel, Max Brod ou Karl Kraus. Isso o levou a ser editor de autores considerados universalmente decisivos: entre tantos podemos citar Franz Kafka, Georg Trakl, Robert Walser, Gottfried Benn. Em 1930, Wolff deixou a direção da editora para se mudar primeiro para Nice, depois para a Toscana, e finalmente desembarcar em Nova York em 1941, após um período muito conturbado em que também sofreu a experiência dos campos de internamento franceses. Nos Estados Unidos, embora já quase sem meios de subsistência, graças à ajuda de outros expatriados alemães, conseguiu recomeçar com uma nova editora: a Pantheon Books. De volta à Europa em 1960, assumiu o cargo de consultor de um importante grupo editorial norte-americano. Em 1963, durante uma visita à Alemanha na qual fez uma parada no Arquivo Marbach (santuário da literatura alemã que conserva muitos documentos relativos à sua atividade inicial como editor), morre devido aos ferimentos sofridos após ser atropelado por um camião.

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    Luiz Pereira Júnior23/03/2023Resenhou um livro
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    Entrega o que propõe

    O título faz jus literalmente ao conteúdo: nada mais que as memórias de um dos maiores editores do século XX, o responsável pela publicação de alguns mestres das letras, principalmente alemães, e de suas obras-primas. Em uma narrativa técnica, o autor nos mostra o processo de descoberta dos grandes, mas também o daqueles que se tornaram obscuros com o passar do tempo ou que foram reduzidos à fama local. Kurt Wolff parece conversar conosco, falando do relacionamento com Franz Kafka, mas, a bem da verdade, outros escritores receberam tanto ou mais atenção que o autor de “A Metamorfose”. Franz Werfel e George Trakl (você já tinha ouvido falar deles?) recebe mais comentários que Kafka (ou pelo menos foi essa a impressão que tive). Talvez o mais importante do livro seja a honestidade e a humildade com que Wolff nos conta sua vida profissional: os conflitos com os autores, as perdas (principalmente daqueles autores que se tornaram célebres e logo então trocaram a editora de Wolff por outra que lhes ofereceu algo a mais em troca), os erros de julgamento (não aceitar a publicação de “Ulisses”, de James Joyce, é certamente o que me vem à mente e, em uma escrita absurdamente honesta, Kurt Wolff faz um mea-culpa de seu procedimento equivocado) e um pouco de sua vida fora do trabalho (afinal, a bem da verdade, o foco da obra é a vida profissional e não a intimidade familiar desse grande editor) Enfim, um livro para quem gosta de livros e/ou para quem faz livros, mas não necessariamente uma obra pela qual esse mesmo leitor vá se apaixonar...

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