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    A história do gozo e outros canibalismos -

    Layla de Guadalupe

    Mocho Edições
    2022
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9786585046060
    Português Brasileiro
    3.2
    7 avaliações
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    Nova edição da obra que inaugurou a Mocho Edições, com prefácio à segunda edição elaborado pela autora e introdução de Aline Bei. (trecho do prefácio) Revisitar A história do gozo e outros canibalismos é, sem melindres, regurgitar a tênue linha entre o delírio e a vigília em que eu, aos 18/19 anos de idade, me encontrava durante a feitura da obra. A história do gozo nunca quis ser livro. Eram fotos de brincadeirinha e poemas avulsos de uma jovem mulher vivendo o frenesi paulistano. Poemas os quais eu malemá ousava nomear “poemas”, que corriam soltos dentro dos meus ossos e caóticos cadernos de anotações. Em 2019, fui convidada pela Mocho (mesma editora que viabilizou a primeira edição) a publicar meu poemário de estreia, ainda cru, ainda modesto, ainda sem dominar minha própria linguagem ou impulsos, ainda grávida, ainda uma ninfeta sem nome nas bolhas literárias abarrotadas de homenzinhos medíocres e barbados, e então, para minha surpresa, o gozo aconteceu. Revisitar A história do gozo e outros canibalismos após três anos de sua estreia é reconstituir o território da minha linguagem até o momento desta reedição: selvática, obsessiva, verborrágica, delirante, esperta, ardilosa, prolixa, política. Quando coloco o gozo de frente com minhas produções que o sucederam, não há nenhum espanto em perceber que meu verbo segue se retroalimentando de sua inegociável recusa à domesticação. Não adestro minhas obsessões, como me ensinou uma sábia mentora das artes cênicas. [...] A história do gozo e outros canibalismos cumpriu a escolha de seu título e me devorou de dentro para fora, entregou o gozo a inúmeras mulheres e à minha própria paixão e rebeldia pela vida como merece ser vivida. A reedição deste livro é a insubmissão que lapidei no processo de sobreviver à sucessão de perdas que me ocorreram durante a confecção original da obra, é uma pulsão de vida devorando a necropolítica do país onde nasci fêmea, é o atrevimento de sobreviver e não só contar, como recontar e conspirar a própria história. Às mulheres e demais criaturas insubmissas e desviantes que de alguma forma se identificarem com os segredos deste livro: devorem sua própria história – canibais famintas com a boca que tudo come –, defendam sua própria história, registrem sua própria história, verborrem sua própria história, antes que alguém faça isso por vocês. Asé e bom apetite. Paz entre nós, guerra entre eles. Layla de Guadalupe, agosto de 2022.

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    Giovanna Romaro picture
    Giovanna Romaro09/02/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O prazer é político

    Neste livro, Layla aborda o prazer do corpo feminino em ritualística, às vezes como uma receita elaborada, como um manifesto em que se toma o lado - claro, esquerdo do peito. Neste manifesto se defende o desejo, a libertação, a descoberta e o fim das correntes de opressão ao nosso corpo. Me senti representada por não ser silenciada e por não ser invisível neste livro.

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