Este foi o primeiro livro de ficção científica chinesa que li, sendo assim não tenho uma base de comparação com outras obras que representem a cultura e o estilo. Usando, então, Clarke e Asimov - os clássicos ocidentais - posso afirmar que a obra respeita preceitos básicos do gênero e consegue trazer uma abordagem interessante do já famoso tema de "videogame".
Se você frequenta um pouco o mundo dos games online já ouviu falar de problemas matemáticos, easter-eggs e os Hunters (jogadores da Deep Web que promovem gincanas). Vários desses jogos são enigmas altamente elaborados e Cixin usa um deles, com sua devida licença poética, para criar o mistério da trama.
Essa é narrada em dois frontes: Ye Wenjie que inicia a história e fornece o background cultural e político necessário para criar a conjuntura que favorecerá os atos de Wang Miao - o responsável pela maior parte da especulação tecnológica presente na história.
As discussões filosóficas apresentadas são conectadas as motivações e acontecimentos, fugindo a tendência atual de "muleta" para o desenvolvimento das personagens. Isso pode desagradar alguns leitores não acostumados com ficção científica pura. Contudo, Shi Quiang (um detetive) serve como auto-inserção sem ser uma personalidade neutra.
Apesar de ser o primeiro livro de uma trilogia, é possível lê-lo tranquilamente pois o autor teve o cuidado de criar um final aberto, mas não carregado de suspense.