As pequenas chances -

    Natalia Timerman

    Tinta-da-china
    2024
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9789896718107
    Português Brasileiro

    <b>ROMANCE DE AUTO-FICÇÃO SOBRE O LUTO DE UMA FILHA APÓS A MORTE DO PAI MARCA A ESTREIA EM PORTUGAL DA ESCRITORA NATALIA TIMERMAN. Livro do ano no Brasil para a revista <i>Quatro cinco um</i>.</b> «A morte me diz que não há mais abraço de pai, que nunca mais haverá; a morte é a morte do cheiro, nunca mais, da presença, do tempo. A morte sussurra o não, minha insuficiência; embora tenha sido tanto, foi tão pouco, pai. É sempre tão pouco perto do nunca mais.» Enquanto aguarda um voo para ir ter com os filhos e o marido, Natalia cruza‑se no aeroporto com o médico de cuidados paliativos que acompanhou o seu pai nos últimos tempos de vida. Este encontro inesperado desencadeia o fio de memórias, o caminho do luto, o assombro do tempo, a saudade. Artur, o pai, ressurge perante a filha e perante nós, no seu declínio, mas sobretudo na força da sua existência e nas marcas que deixou nos filhos, na esposa, nos netos. Apesar da dor, <i>As pequenas chances</i> é um romance devoto à beleza e à ternura. E, apesar da morte, esta é uma história sobre vida, sobre estarmos aqui, mais sobre o que fica do que sobre o que passa.

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    Fellipe F. F. Cardoso picture
    Fellipe F. F. Cardoso06/10/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    É uma narrativa tão pessoal, que fica difícil encará-la para além disso. Creio ter sido isso que me deixou distanciado do texto durante a leitura: entender o luto a partir do recorte de relação com o pai que ela nos apresenta, sem desenvolver o personagem que morre, deixando difícil entender quem foi esse homem para além dos seus dias de agonia. É um livro não sobre o pai, tampouco para o pai, mas sim para a posição que ficou desocupada a partir da morte do pai e, por isso, sem referência, levando a narradora a encampar uma viagem genealógica como se isso definisse o contorno dessa ausência, que justifica-se pela morte e pela possibilidade da perda da memória. É complicado, enquanto leitor, ver-se nesse lugar de observador da dor, mas não da dor real (porque jamais saberemos o tamanho da dor do outro), mas a dor que a escritora inventou para caber no livro que ela quis escrever. Penso que o final é também bastante previsível nos paralelos estabelecidos pelo tema principal e solução batida, no lugar-comum do empoderamento feminino e de seus sagrados ancestrais. De qualquer forma, Natália escreve sempre lindamente e o livro tem passagens e reflexões que são lindas, memoráveis. Vale ser lido.

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