Tornar-se Palestina (Coleção Nos.otras) -

    Lina Meruane

    Relicário Edições
    2025
    348 páginas
    11h 36m
    ISBN-13: 9786550900113
    Português Brasileiro

    Tornar-se Palestina, da escritora chilena Lina Meruane, teve sua primeira edição brasileira publicada pela Relicário em 2019. Em 2025, chega-nos a segunda edição ampliada, com prefácio do escritor brasileiro Milton Hatoum – que contextualiza o momento presente e o genocídio em curso – e uma terceira e nova parte somada às duas primeiras, chamada Rostos em meu rosto. A primeira parte, homônima do livro, traz a crônica da viagem de Meruane a Beit Jala, a cidade de seus ancestrais. Descendente de palestinos, conta que seu avô tinha ouvido falar de um vale entre as cordilheiras na América do Sul, que prometia uma vida como a vivida em Beit Jala, aldeia da Cisjordânia considerada uma das mais antigas da Palestina. Essa promessa fez do Chile o país com a maior comunidade palestina fora do mundo árabe. Duas gerações depois, a neta decide retornar ao território do avô. Retornar para um lugar que nunca tinha estado antes. Nesta jornada, a autora mergulha na realidade brutal da ocupação israelense, vivenciando encontros e percalços que a levam a reflexões profundas sobre perda, exílio e pertencimento. Na segunda parte, Tornar-nos outros (2014), a autora regressa novamente à Palestina, mas, desta vez, por meio do diálogo com escritores e intelectuais que abordaram o conflito israelo-palestino de diferentes perspectivas, como Edward Said, David Grossman, Noam Chomsky, Susan Sontag, Eric Hobsbawm, Mario Vargas Llosa e outros. Nela, Meruane trata da linguagem do conflito, dos silêncios e eufemismos que se articulam em torno de uma realidade que exige encontrar nas palavras um caminho para o entendimento. No entanto, o que aparentemente era uma obra concluída revelou-se um livro vivo, que continuou a ser reescrito e ampliado até a inclusão de uma terceira parte, Rostos em meu rosto, de 2019 – a novidade desta segunda edição ampliada. A partir de uma nova viagem à Palestina, Meruane constrói uma reflexão sobre a identidade individual e coletiva impressa nos rostos e nas línguas, assim como os paradoxos culturais que os corpos carregam. Além da nostalgia e da história familiar, a autora se encarrega de pensar o palestino também a partir do vínculo com o presente, a partir do que ela considera “o grande paradoxo de Israel”: que parte de uma comunidade a quem foi negada, por séculos, a propriedade e o pertencimento a um lugar seguro, agora submeta o povo palestino ao mesmo mal de que foram vítimas. Hoje, os palestinos são a maior comunidade de refugiados do mundo. Tornar-se Palestina assume-se como um livro comprometido e consolida-se como uma obra essencial para quem deseja compreender as raízes históricas da realidade palestina e fazer frente às injustiças coloniais. Sucesso de público e crítica, teve mais de 15.000 exemplares vendidos no país.

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    Edianne Novaes11/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ressaca moral

    Sim, foi uma ressaca moral ler esse livro. Porque eu encarei de frente minha ignorância, minha apatia, meu desinteresse, minha abominável capacidade de não questionar alguns temas, minha falta de alteridade... Lina Meruane é uma escritora chilena e doutora em literatura hispano-americana na NYU cujos avós são palestinos. Pra começar, eu ignorava que no Chile vive a maior comunidade dos refugiados palestinos. São dois livros em um só: A primeira parte é um relato de infância, de investigações familiares e principalmente um relato de viagem sobre o "retorno" à Palestina feito por Lina. . A segunda é um ensaio sobre o poder das palavras e dos discursos do vencedor, sobre traidores e traídos, sobre conformadores e inconformados, sobre controladores e controlados, sobre oprimidos virando opressores, sobre o que não pode ser dito... É preciso saber mais sobre os palestinos sem julgamento rápido e fácil de antissemitismo. Uma lembrança pra mim: questione-se mais!

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