O romance epistolar Leonora se inicia quando Lady Leonora decide convidar para uma estadia em sua casa a controversa lady Olivia, apesar dos conselhos de sua mãe para não se aproximar dela. Leonora acredita que Olivia não é a mulher perversa que dizem, mesmo que elar tenha abandonado seu marido e filho na França e dos boatos de que tenha um amante. Mas será que Olivia é mesmo uma pessoa boa que se perdeu, como Leonora acredita, ou ela está errada em seu julgamento? E quando Leonora começa a sentir que seu marido está se afastando dela e prestando atenção demais em sua hóspede, seria essa uma impressão movida apenas por ciúmes ou tem algo realmente acontecendo?
O livro, mesmo escrito no século XIX, traz em seu início um debate muito interessante e atual sobre o que chamamos hoje de cancelamento. Condenar pessoas ao ostracismo por conta de um erro, sem jamais dar uma segunda chance, não é algo que acontecia só naquela época e esse tipo de atitude precisa ser repensada mesmo nos dias atuais.
Não posso expressar suficientemente a indignação que sinto contra o espírito malicioso do escândalo, o qual destrói a felicidade a cada respiração e que se deleita no mais mesquinho dos sentimentos: o triunfo sobre o erro dos outros, como se fossem superiores. (pág. 17)
Maria Edgeworth tem uma escrita deliciosa e que nos leva à reflexão em vários momentos. Assim como em Belinda, a autora demonstra aqui uma visão mais racional sobre sentimentos e casamento. Confesso que a mulher do século XXI e emocionada em mim teve dificuldade em aceitar alguns acontecimentos e que eu queria que Leonora fosse um pouco menos sensata. Eu, com certeza, seria menos ponderada e faria uma cena e tanto no lugar dela antes mesmo de pensar se eu estava certa ou errada.
A edição da Pedrazul, exclusiva do Clube de leitores, está maravilhosa. A fonte e a diagramação estão muito confortáveis para a leitura e a introdução escrita pela Chirlei nos traz um pouco da vida dessa autora que foi tão popular em sua época mas que acabou sendo esquecida nos tempos atuais. Outro detalhe maravilhoso na edição é que todas as expressões em francês estão traduzidas nas notas de rodapé (Deus abençoe as editoras que sabem que a maioria dos brasileiros não fala francês). Leitura obrigatória para os fãs de Jane Austen, especialmente aqueles que gostaram de Lady Susan.