A aposta deste livro caminha na direção de mostrar que nas sociedades letradas modernas outros sistemas de conhecimento competem com a instrução formalizada que é passada via escolarização e com o conhecimento abstrato advindo do uso da escrita em situações substitutivas da língua oral. Especificamente, sugere-se que o conhecimento pragmático sobre o funcionamento do discurso pode vir a ser um caminho alternativo. Ao contrário da visão tradicional, que apregoa a superioridade da língua escrita sobre a oral, este livro defende a posição de que a aquisição da escrita produz um apagamento do sujeito que sente pelo sujeito que escreve. As emoções, as experiências pessoais, os episódios autobiográficos se transmudam, solidifi cam-se, congelam-se, quando são colocados sem forma escrita. O sujeito-escritor não é nunca idêntico ao sujeito-oral. E o objeto da escrita nunca coincide com o objeto da oralidade. É sobre isso que se pretende falar aqui - o que se perde quando uma simbolização de segunda ordem (a escrita) predomina sobre a de primeira ordem (oralidade); que é o que ocorre nas sociedades industrializadas. Por extensão, fala-se também das perdas sofridas por grupos sociais não-alfabetizados, que estão inseridos nessas sociedades letradas, evoluídas, industrializadas, e precisam compartilhar com elas práticas sofisticadas, muitas vezes alienantes e massificadoras, que, em sua grande parte, têm como veículo a escrita.
ADULTOS NÃO-ALFABETIZADOS EM UMA SOCIEDADE LETRADA -
Leda Verdiani Tfouni
Cortez
2006
149 páginas
4h 58m
ISBN-10: 8524912316
Português Brasileiro
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