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    Ensaio sobre a origem das línguas -

    Jean-Jacques Rousseau

    Unicamp
    2008
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-10: 8526807889
    Português Brasileiro
    3.8
    54 avaliações
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    Redescoberto no século 20, Ensaio sobre a origem das línguas influenciou o pensamento de intelectuais do porte de Claude Lévis-Strauss, Gilles Deleuze e Jacques Derrida. Revela a originalidade da concepção rousseauniana da linguagem e suas conseqüências para a compreensão das idéias de verdade e justiça. Ao fazer da música o paradigma da linguagem, Rousseau teria dado novo destino à antiga idéia de retórica, fazendo tremer o edifício da filosofia clássica. Texto de publicação póstuma e datação controvertida, permaneceu dois séculos à sombra, sendo redescoberto há cerca de 40 anos.

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    Fabio Shiva02/10/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Naturalmente, só existe a harmonia do uníssono.”

    Li com curiosidade esse texto relativamente curto, que acompanha “Do Contrato Social” no primeiro volume dedicado a Jean-Jacques Rousseau na Coleção Os Pensadores. O motivo da curiosidade é o subtítulo da obra: “No qual se fala da melodia e da imitação musical”. Queria muito saber o que Rousseau tinha a dizer sobre a música. Afinal ele mesmo foi músico, chegando a compor óperas e até a inventar um novo modo de notação musical. E de fato, o filósofo apresenta algumas ideias interessantes sobre a música, como a sua proposição de que todas as consonâncias são, na verdade, convenções estabelecidas pelo hábito: “Naturalmente, só existe a harmonia do uníssono.” A leitura valeu também por essa divertida informação citada em uma nota de Lourival Gomes Machado: “A medicina popular recomendava, para curar os efeitos da picada venenosa da tarântula, que o paciente dançasse ao som de música, afirmando outros que o envenenado se sentia impelido a dançar. Daí a ‘tarantela’ tiraria seu nome.” Mas Rousseau apresenta outras sacações interessantes: “Todos os povos que possuem instrumentos de corda são forçados a afiná-los por meio de consonâncias, mas aqueles que não os têm possuem nos seus cantos inflexões que consideramos desafinadas por não entrarem no nosso sistema e por não podermos grafá-las.” A parte da música, contudo, é apenas secundária no ensaio que é destinado a estudar a origem das línguas: “As do sul tiveram de ser vivas, sonoras, acentuadas, eloquentes e frequentemente obscuras, devido à energia. As do norte surdas, rudes, articuladas, gritantes, monótonas e claras, devido antes à força das palavras do que a uma boa construção.” “Nossas línguas valem mais escritas do que faladas; leem-nos com mais prazer do que nos escutam. Pelo contrário, as línguas orientais perdem, escritas, sua vida e calor. O sentido só em parte está nas palavras, toda a sua força reside nos acentos. Julgar o gênio dos orientais pelos seus livros é querer pintar um homem tendo por modelo seu cadáver.” “A palavra distingue os homens entre os animais; a linguagem, as nações entre si – não se sabe de onde é um homem antes de ter ele falado.” “Quando se fala, transmitem-se os sentimentos, e quando se escreve, as ideias.” Como não poderia deixar de ser, esse texto escrito por volta de 1759 (a data é incerta) já está bem defasado. Não deixa de ser interessante justamente pela verve de Rousseau, com suas frases de efeito e máximas: “Como nos deixamos emocionar pela piedade? – Transportando-nos para fora de nós mesmos, identificando-nos com o sofredor.” “O selvagem é caçador; o bárbaro, pastor; o homem civilizado, agricultor.” E vamos para o segundo volume de Rousseau! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2024/10/ensaio-sobre-origem-das-linguas-jean.html

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    Jean-Jacques Rousseau

    Escritor, filósofo, músico e teórico político, Rousseau foi uma das personalidades mais marcantes do Iluminismo, movimento intelectual do século XVIII, ainda que suas idéias divergissem muito dos outros iluministas, como Voltaire.<br/> Entre suas obras mais famosas estão O Contrato Social (no qual Rousseau descreve uma sociedade ideal e os meios de alcançá-la) e Emílio, um tratado sobre Educação considerado clássico. Ambos os livros foram proibidos na França, queimados em praça pública e seu autor condenado, tendo desde então que fugir até o fim de sua vida.

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    Jean-Jacques Rousseau