O livro traz ótimas discussões sobre documentário. Na primeira parte, de leitura mais fácil, elenca tipos e conceitos, com base em análises clássicas e na tradição desse tipo de filme - apesar de existirem produções que mesclam estilos, há algumas características que fazem um filme ser reconhecido, historicamente, com documentário, segundo o autor.
Em seguida, alguns textos mais filosóficos e específicos sobre meandros da crítica documentária têm vez. Algumas discussões são legais, como o "travelling de Kapò", sobre a ética em cenas que lidam com alta intensidade.
Os textos sobre análises do horror no cinema documentário brasileiro foram bem polêmicos, na minha opinião. O autor considera que filmes como "Notícias de uma guerra particular" e "Ônibus 174" apelam para um horror paralisante, algo sensacionalista e que considera o outro popular como um inimigo. Eu pensei bastante sobre isso e acho que uma parte dessa análise faz sentido, mas que também há o caráter de denúncia das péssimas condições sociais e da desigualdade brasileira.
Há uma ótima descrição do que o autor chama de cinema direto, falando da história do cinema verité francês, do direct cinema inglês e canadense e de suas convergências. Por fim, o autor escreve análises muito interessantes do cinema direto brasileiro e de como ele foi mesclado com características "griersonianas" como a voz over.