Um voluntário da pátria (Vozes do Golpe) -

    Zuenir Ventura

    Cia. das Letras
    2004
    63 páginas
    2h 6m
    ISBN-10: 853590476X
    Português Brasileiro

    "Em 31 de março de 1964, Zuenir Ventura chegava a Brasília depois de viajar dois dias num fusquinha, vindo do Rio. Naquele dia, descobriu que 'pegar em armas' podia ser mais que uma expressão retórica. O jornalista faz, aqui, uma inédita e preciosa crônica da resistência ao golpe na capital do país."

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    Fran RW20/07/2011Resenhou um livro
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    "Um Voluntário da Pátria" - Zuenir Ventura

    Fazia tempo que este livro estava na minha "fila de espera". Era para eu tê-lo lido ano passado ainda, mas depois que descobri que o tema de leitura do mês de maio do Desafio Literário 2012 seria fatos históricos, adiei esta leitura para agora. E que leitura! Acredito que se divertir enquanto se aprende é a melhor forma de aprendizagem. Por isso, depois que, aproveitando o feriado de Tiradentes, sentei no belíssimo sofá verde da sala aqui de casa e li Um Voluntário da Pátria, posso afirmar que, com boas gargalhadas, aprendi um pouco mais sobre um dos dias mais marcantes da história do Brasil: 31 de março de 1964, quando o país ouviu da boca do então presidente João Goulart aquilo que as classes ricas tanto temiam: a tão prometida reforma agrária começaria, e começaria em breve. Escrito com uma linguagem leve e descontraída, o livro é bem curtinho, desses que se lê de cabo a rabo em mais ou menos uma hora e meia, que foi o quanto demorei. A comédia está na forma como o autor, o jornalista Zuenir Ventura, descreve aquele dia memorável e a viagem que fizera até Brasília (onde estava quando tudo começou), depois de quase três dias espremido com a esposa grávida e dois amigos em um lento fusquinha, literalmente comendo poeira por mais de mil e seiscentos quilômetros, por causa de uma oferta de emprego como professor na UnB que ele acaba nem esclarecendo se conseguiu de fato ou não. O resultado da declaração acerca da reforma agrária, feita na Central do Brasil no Rio de Janeiro, como conta aqui o jornalista, foi um pandemônio: os militares e a população mais rica estavam furibundos; Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara*, se rebelou contra o presidente. Todos queriam Jango fora do poder sem demora. João Goulart, como se sabe, foi derrubado menos de uma semana após o comício. Mas ainda no dia 31 de março, o país era um caos. Notícias desencontradas surgiam a todo momento, pessoas favoráveis à queda de Jango eram mobilizadas... Só não havia armas em quantidade suficiente com que este pessoal combatesse, depois de ter ouvido por horas a fio uma incentivadora porção de discursos inflamados, o que deve ter sido especialmente "broxante". Mas isto não vem ao caso. Fica uma recomendação minha a que leiam este livro do qual, a meu ver, se pode tirar muito mais proveito do que aparenta quando se contempla em conjunto suas modestas 63 páginas. *mais tarde, esse estado fundiu-se ao Rio de Janeiro. pessoalmentefalando.blogspot.com

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