Araújo morava perto de uma praça que tinha uma bela e centenária mangueira. Um dia, soube que iam derrubar tudo para construir um shopping center. Indignado, correu para ver se a árvore ainda estava lá e, aliviado, viu que uma romântica mensagem escrita por ele num cantinho do lado esquerdo, permanecia na árvore: Araújo ama Ophélia. Como permitir que uma praça com tantas árvores e pássaros fosse destrúida? Ele decidiu procurar Ophélia, que não via desde a juventude (foi uma emoção só!), e, juntos, foram reclamar na polícia, mandaram cartas para a prefeitura, aos jornais, mas ninguém se interessou em ajudar. Foi então que decidiram subir na centenária mangueira para impedir a demolição. E foi uma confusão daquelas! O engenheiro-chefe falou que as árvores não serviam para nada, que os dois velhinhos eram contra o progresso, ficou furioso e chamou a polícia. Enquanto isso, começou a juntar gente na praça. Eram moradores da vizinhança, pedestres, motoqueiros e curiosos que pararam para ver o que estava acontecendo. Araújo e Ophélia explicaram que não se pode derrubar árvores sem escutar a comunidade, mesmo porque, a natureza é de todos. E as pessoas começaram a contar que a praça fazia parte da vida delas, que estudavam debaixo da sombra da mangueira, faziam exercícios, namoravam, liam e escreviam até poemas. Diante de tantos protestos e com a força, a determinação e a alegria desse casal octagenário, a praça com suas árvores e pássaros foi preservada.

