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    Golpe de Misericórdia - Coleção Grandes Romances

    Marguerite Yourcenar

    Nova Fronteira
    1982
    121 páginas
    4h 2m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.6
    83 avaliações
    Leram118Lendo7Querem111Relendo0Abandonos1Resenhas13
    Favoritos4Desejados111Avaliaram83

    Golpe de Misericórdia (Le Coup de Grâce) é um curto romance que se desenrola na esteira da guerra de 1914 e da Revolução Russa. Escrito em 1938, inspirado numa ocorrência autêntica, o assunto do livro, segundo Yourcenar, está muito próximo de nós “porque a desordem moral que ele descreve permanece a mesma em que fomos e estamos cada vez mais mergulhados”. Este romance com fortes inclinações para a tragédia, desenvolve-se num lugarejo denominado Kratovice, um rincão obscuro dos países bálticos, isolado pela revolução e pela guerra. A historia de amor entre três protagonistas, “um quase puro conflito de paixões e de vontades”,é narrada na primeira pessoa, através de Éric Von Lhomond, personagem caracterizado pela lúcida rispidez, e o tema central é “antes de tudo a comunidade de espécie, a solidariedade de destino entre três seres submetidos as mesmas privações e aos mesmos perigos”.

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    Resenhas (13)Ver mais
    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva13/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    leitura conduzida

    Fui conduzido a ler esse livro por um episódio curioso. Na verdade, eu pretendia ler “A Dor”, de Marguerite Duras, mas quando fui pegar o livro na estante, foi esse que veio em minhas mãos. Entendi que era um sinal do universo, e obedeci. Claro que fiquei antenado para captar as mensagens que esse livro poderia trazer para mim nesse momento, e por isso a resenha será focada nessa leitura específica. De cara ficou evidente a sincronicidade: a história real que inspirou “Golpe de Misericórdia” se passa uma terra estranha em uma época igualmente esquisita: “uma região perdida dos países bálticos, entre o fim da primeira guerra mundial e a Revolução Russa”. Uma guerra acontece, mas não entendemos muito bem suas motivações, nem o cenário onde as lutas sangrentas ocorrem. É meio como a guerra mundial que travamos hoje contra o Coronavírus: uma série de batalhas sem fronteiras definidas, combatidas em meio a espessas neblinas. E daí retirei o primeiro ensinamento precioso desse livro: em um determinado momento um dos personagens afirma que em tempos de guerra o lado mais terrível do ser humano costuma vir à tona, assim como o lado mais maravilhoso. Como há mais coisas terríveis que maravilhosas na humanidade, os períodos de guerra trazem a reboque muitas revelações pavorosas. Novamente, é como o momento que vivemos hoje, especialmente no Brasil. Certamente há coisas maravilhosas acontecendo, mas fica difícil percebê-las com tantos horrores vindo à tona de um pandemônio somado à pandemia. Uma frase em particular me evocou muito claramente as torpes estratégias de Fake News utilizadas pelo atual governo para se alçar e se manter no poder: “Sempre achei certa baixeza naqueles que acreditam com muita facilidade na indignidade alheia.” Bolsonaro só chegou onde está, infelizmente, porque milhões de brasileiros escolheram acreditar na Mamadeira de Piroca... E já faz tempo que notei como o Desprezidente é rápido em acusar seus adversários das maiores torpezas e vilanias que ele mesmo é o primeiro a cometer. Outras frases marcantes também encontrei nessa pungente e angustiosa narrativa, traçada com esmero e trágica beleza: “A amizade é acima de tudo certeza, coisa que a distingue do amor.” “Não sou presunçoso: isso seria fácil para um homem que despreza as mulheres e que, buscando confirmar a opinião que tem delas, escolhe frequentar apenas as piores.” “Pode-se confiar no fogo, com a condição de saber que sua lei é morrer ou queimar.” “Fala-se sempre como se as tragédias se passassem no vácuo; elas, todavia, são condicionadas pelo ambiente.” “Somos sempre punidos na ocasião imprópria.” https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/05/golpe-de-misericordia-marguerite.html

    32 curtidas

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    Avaliações

    3.6 / 83
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas4%
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    Marguerite Cleenewerck de Crayencour

    Marguerite Yourcenar, pseudônimo de Marguerite Cleenewerck de Crayencour (anagrama de Yourcenar), foi uma escritora belga de língua francesa. Foi a primeira mulher eleita à Academia Francesa de Letras em 1980, após uma campanha e apoio activos de Jean d'Ormesson, que escreveu o discurso de sua admissão. Foi educada de forma privada e de maneira excepcional: lia Jean Racine com oito anos de idade, e seu pai ensinou-lhe o latim aos oito anos e grego aos doze. Em 1939 mudou-se para os Estados Unidos, onde passou o resto de sua vida, obtendo a cidadania estado-unidense em 1947 e ensinando literatura francesa até 1949. As suas Mémoires d´Hadrien (Memórias de Adriano), de 1951, tornaram-na internacionalmente conhecida. Este sucesso seria confirmado com L'Œuvre au Noir (A Obra em Negro, 1968), uma biografia de um herói do século XVI, chamado Zénon, atraído pelo hermetismo e a ciência. Publicou ainda poemas, ensaios (Sous bénéfice d'inventaire, 1978) e memórias (Archives du Nord, 1977), manifestando uma atracção pela Grécia e pelo misticismo oriental patente em trabalhos como Mishima ou La vision du vide (1981) e Comme l´eau qui coule (1982).

    45 Livros
    75 Seguidores

    Marguerite Cleenewerck de Crayencour