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    As Aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora - Os primeiros quadrinhos brasileiros 1869-1883

    Angelo Agostini

    Senado Federal
    2002
    198 páginas
    6h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.3
    6 avaliações
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    Ângelo Agostini (1843-1910), jornalista e caricaturista ítalo-brasileiro, passou à história como um campeão dos direitos humanos e da cidadania. Foi um dos maiores defensores da Abolição e as caricaturas com que atacou os escravagistas são antológicas. O lado lúdico desse desenhista e narrador genial deixou para o mundo duas narrativas de quadrinhos, "As Aventuras de Nhô-Quim" e "As Aventuras de Zé Caipora" que não são histórias comuns. Com ela, entre 1883 e 1906, Agostini rovolucionou de maneira extraordinária a apresentação gráfica e a temática do gênero criando herói e heroína com traços acadêmicos mergulhados em narrativa dramática de aventura. Zé Caipora antecipou-se quase meio século de Tarzan de Hal Foster e Inaiá, a índia brasileira de seios nus, que surgiu mais de setenta anos antes da erótica Barbarella de Jean Claude Forest. O enquadramento e o roteiro da narrativa em Zé Caipora utilizaram técnicas cinematográficas bem antes da 7ª arte ser projetada em Paris. Aleém do uso de bucólicos panoramas, planos gerais e médios, ele utilizou um antológico plano de detalhe. Há na história pelo menos uma dúzia de excelentes mudenças de angulação de ponto de vista, e na narrativa são identificadas ações paralelas e retornos. Outra especialidade do autor é a criação sistemática de suspense ao final de cada capítulo. Credite-se, ainda a Agostini, a publicação do primeiro álbum de histórias em quadrinhos no final dos anos 80 do século XIX. Zé Caipora e Nhô-Quim, sem influência estrangeira, são heróis brasileiros em estado puro. Nesta época de globalização, quando nossos artistas desenham para os sindicatos americanos de quadrinhos, todos precisam conhecê-los.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Leila picture
    Leila06/12/2018Resenhou um livro
    0

    Caiporismo

    As aventuras de nhô-Quim são legais mas as de Zé Caipora são divertidissimas. Espero que tenha a continuação do ultimo quadrinho.

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    Angelo Agostini profile picture

    Angelo Agostini

    Angelo Agostini, caricaturista, ilustrador, desenhista, crítico, pintor, gravador. Ainda criança muda-se para Paris, onde conclui seus estudos de desenho em 1858. Reside em São Paulo a partir de 1860, e quatro anos depois funda, com Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882) e Sizenando Barreto Nabuco de Araújo (1842-1892), o semanário liberal Diabo Coxo. Em 1866, cria, com Américo de Campos e Antônio Manuel Reis, o jornal O Cabrião, periódico semanal, no qual publica sátiras sobre a Guerra do Paraguai. Além disso, nessa publicação, merecem destaque a série de pequenos artigos Instruções Secretas dos Padres da Companhia de Jezus, onde ironiza as estratégias de enriquecimento da ordem religiosa, e a caricatura O Cemitério da Consolação em Dia de Finados, sátira sobre o feriado cristão. Esta charge gera uma grande polêmica desenvolvida nas páginas de dois outros periódicos, O Diário de São Paulo e o Correio Paulistano. Muda-se para o Rio de Janeiro e passa a colaborar no periódico O Arlequim, em 1867, e na revista Vida Fluminense, em 1868, que publica pela primeira vez a história infantil de sua autoria Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. Entre 1869 e 1875, trabalha como colaborador na revista O Mosquito onde, em 1872, publica caricatura satirizando a tela Passagem de Humaitá (1868), de Victor Meirelles (1832-1903). Em 1876, funda a Revista Ilustrada e, como editor, publica, em 1879, a série de caricaturas Salão Fluminese-Escola Brazileira, em que satiriza as obras enviadas para os salões de belas-artes. Em uma dessas caricaturas, intitulada Oferecido ao Eminente Pintor Victor Meirelles de Lima, o artista ironiza as telas Batalha dos Guararapes (1875/1879), de Victor Meirelles, e A Batalha do Avaí (1872/1877), de Pedro Américo (1843-1905). Durante a campanha abolicionista, Agostini publica na revista a série de caricaturas Cenas da Escravidão, em que, fazendo referência aos passos da paixão, apresenta, em 14 ilustrações, diversas formas de tortura a que eram submetidos os negros cativos. Em 1889 viaja para Paris e lá permanece até 1895. Nesse ano retorna ao Rio de Janeiro e funda a revista Don Quixote. Trabalha na revista O Malho, em 1904, e integra a equipe fundadora da revista infantil O Tico-Tico, em 1905.

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