Ângelo Agostini (1843-1910), jornalista e caricaturista ítalo-brasileiro, passou à história como um campeão dos direitos humanos e da cidadania. Foi um dos maiores defensores da Abolição e as caricaturas com que atacou os escravagistas são antológicas. O lado lúdico desse desenhista e narrador genial deixou para o mundo duas narrativas de quadrinhos, "As Aventuras de Nhô-Quim" e "As Aventuras de Zé Caipora" que não são histórias comuns. Com ela, entre 1883 e 1906, Agostini rovolucionou de maneira extraordinária a apresentação gráfica e a temática do gênero criando herói e heroína com traços acadêmicos mergulhados em narrativa dramática de aventura. Zé Caipora antecipou-se quase meio século de Tarzan de Hal Foster e Inaiá, a índia brasileira de seios nus, que surgiu mais de setenta anos antes da erótica Barbarella de Jean Claude Forest. O enquadramento e o roteiro da narrativa em Zé Caipora utilizaram técnicas cinematográficas bem antes da 7ª arte ser projetada em Paris. Aleém do uso de bucólicos panoramas, planos gerais e médios, ele utilizou um antológico plano de detalhe. Há na história pelo menos uma dúzia de excelentes mudenças de angulação de ponto de vista, e na narrativa são identificadas ações paralelas e retornos. Outra especialidade do autor é a criação sistemática de suspense ao final de cada capítulo. Credite-se, ainda a Agostini, a publicação do primeiro álbum de histórias em quadrinhos no final dos anos 80 do século XIX. Zé Caipora e Nhô-Quim, sem influência estrangeira, são heróis brasileiros em estado puro. Nesta época de globalização, quando nossos artistas desenham para os sindicatos americanos de quadrinhos, todos precisam conhecê-los.







