D. H. Lawrence, o romancista, é um escritor poderoso, com forte senso da natureza e da importância da vida física, do 'eu' físico, que não deve ser menosprezado em nome do eu espiritual ou intelectual.
D. H. Lawrence, o ensaísta, também é assim.
Fiquei impressionada, algumas vezes chocada (mais pela surpresa de certas análises do autor do que por outra coisa) lendo este volume de ensaios. Brilhante, genial, é usar os clichês costumeiros para definir Lawrence. Ele era tudo isso.
"O grande inquisidor de Dostoiévsky", "A moralidade e o romance", "Pornografia e obscenidade", "Cirurgia para o romance - ou uma bomba", "Esboço autobiográfico" são alguns dos ensaios que me impressionaram neste livro. Todos merecem mais de uma leitura, e voltarei a eles posteriormente. Todos exemplificam a capacidade de Lawrence de analisar literatura com agudeza, mostram sua bagagem cultural e são escritos como se fossem literatura: bem escritos, com ironia, com convicção, com o 'eu' de Lawrence interferindo todo o tempo: nada de análises literárias frias, despersonalizadas! Isso é justo o que o homem Lawrence desprezaria. Ele consegue ser um crítico ainda mais gostoso de ser lido do que Harold Bloom (que é muito, muito bom). Como me acontece com Bloom, também tenho discordâncias - sérias, às vezes - de Lawrence. Mas me rendo ao escritor expressivo, apaixonado, que ele foi.
O livro luminoso da vida nos dá um retrato cativante do crítico Lawrence, o grande romancista; e deixa o desejo de ler mais dessa sua faceta.