"A habilidade com que Luís Delfino arquitetava sonetos faz pensar numa receita infalível e quase impessoal, algo como uma oficina de artesãos da Renascença a produzir coletivamente, de acordo com um molde único" Massaud Moisés.
Luís Delfino - Seleção
Lauro Junkes
"Luís Delfino - Melhores Poemas" - Lauro Junkes
Última resenha do ano! Já? Parece que foi ontem que resenhei A Mesa Voadora do Veríssimo. Sei que você nunca ouviu falar do Luís Delfino. Eu também não até ler este livro, e por razões que vou explicar nos próximos parágrafos. Li, na verdade, só por causa do Desafio Literário. Este aqui era o único do tema poesia que eu tinha aqui em casa e que ainda não lera. Pra não desistir do DL (que aliás foi uma delícia poder participar) na reta final, engatei essa leitura mesmo. Tenho esse livro na estante desde o ensino médio (que não faz muito tempo que concluí), quando ganhei uma penca de livros da escola, oferecidos pelo governo estadual. É a única edição existente, pelo que sei. E se dependesse do próprio Luís Delfino, este nem qualquer outro livro com seus poemas teria sido publicado. Durante sua vida ele escreveu centenas de sonetos e poemas longos, mas nunca os agrupou em livro. Os poucos publicados enquanto ele viveu, o foram em jormais e revistas. Hoje existem livros que reúnem alguns de seus escritos, porém todos organizados pelo filho do poeta ou por pessoas como Lauro Junkes. Porém... (ah, porém!) não gostei muito da coletânea do Junkes. Não sei se todos os poemas do Delfino são "enfeitados" ou se o Junkes é que não escolheu bem. Particularmente, penso que poema não tem que impressionar; tem que transmitir. Tem que fazer o leitor refletir, chorar, condoer - qualquer coisa, menos cair na incompreensão. Em muitos momentos me senti quase como uma criança em fase de alfabetização tentando ler livro para gente grande. Do que serve a beleza de uns versos se nem todos puderem compreendê-los? Mas olha, a decepção não foi total não. Eu gostei dos sonetos com personagens mitológicos. E daqueles em que o autor reflete sobre o preço da existência. Sou melodramática, lembram? E adoro mitologia. :) "Hás-de lembrar-te ainda da tremenda Queda dos nossos pais, que a história conta: Helena, sobre os séculos, remonta Ao livro santo e após o Éden, a lenda. Aqui há muito que se leia e aprenda. É na aurora da vida que desponta O amor, que tudo eleva e tudo afronta: É bom que cada qual o saiba e entenda. Deixar a luz, para cair na treva, Deixar tudo o que é grande e belo a troco De um sonho vão, que ao erro e à dor nos leva!... Deus dava tudo: e tudo ainda era pouco: Que mais queria Adão? Que mais quis Eva? Ter tudo e querer mais? - Não é ser louco?!..." De qualquer forma, não pretendo me desfazer do meu exemplar. Poesia é coisa gostosa de se ler e faz bem à alma. (E eu que cheguei a pensar que essa resenha não sairia! Dona Tristeza me massacrando outra vez. Algo me diz que iogo teremos mais monólogos meus.) P.S.: O balanço final da minha participação no DL 2012 sai no finzinho do ano, junto com a retrospectiva literária. Fiquem de zóio (não os esqueçam por aí!). pessoalmentefalando.blogspot.com
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