Kurt Vonnegut comentou em um ensaio que a literatura clássica americana geralmente segue alguns padrões básicos de enredo como, por exemplo, o protagonista que não tem nada mas consegue ao longo da história alcançar seus objetivos; noutro padrão, mais ousado por sinal, temos o protagonista bem sucedido e que perde tudo, para depois ir reconquistando seu antigo sucesso. Nesse livro, Hemingway pegou esse segundo padrão e tirou a parte final, ou seja, o protagonista tem tudo e perde tudo e passa a viver com isso. É uma premissa difícil e amarga, e demorou um tempo para perceber que trata-se de um livro sobre o luto e sobre os arrependimentos do próprio autor. Mas apesar disso tudo, não posso dizer que é uma obra ruim. Hemingway escreve incrivelmente bem, transformando, com seus diálogos ágeis e precisos, situações comuns em inusitadas e fascinantes. E ainda temos o mar, tanto cenário quanto personagem, sempre presente na vida do protagonista, abraçando suas breves alegrias e seu sofrimento silencioso. Não foi uma leitura fácil, mas creio que esse era o objetivo do autor.
As Ilhas da Corrente -
Ernest Hemingway
Nova Fronteira
1970
386 páginas
12h 52m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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