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    As sementes do Sol - o semeador -

    Raimundo Carrero, Raimundo Carrero

    Coleção Recife
    1981
    101 páginas
    3h 22m
    ISBN-10: 8570440049
    Português Brasileiro
    3.6
    6 avaliações
    Leram6Lendo0Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados2Avaliaram6

    Em “As sementes do sol – o semeador”, o desorientado Absalão, em seu combate obsessivo contra o pecado, tenta enfrentar um inimigo: aquilo que, supondo seja o pecado, é, na verdade, a própria condição da existência. Que dizer: para ser, Absalão quer des-ser; para viver, pretende anular aquilo que é. A consciência de que não pode escapar das contingências da carne se dá quando, enfim, se dispõe a combater seu destino. Então, ele suplica ao tio Lourenço: “Seja o meu demônio – é o que lhe peço”. E o tio, sofrido, mas lúcido, lhe responde: “Não sou demônio, mas tenho aqui na minha mão a sua alma”. Lourenço olha o sobrinho com a certeza de que, também nele, uma força vital se agita e quer existir; mas, num emaranhado de palavras e de terrores, Absalão a deixa escapar, isso quando não a sufoca. A idéia do pecado se torna, nesse caso, um escudo. É empunhando o brasão da pureza que Absalão abdica da vida. Quando, por fim, se inicia no sexo, o infeliz Absalão não consegue entender sua experiência como um ato de amor, mas, sim, de devassidão. “Agora estavam somente os dois no quarto. Um homem e uma mulher – esse louco combate da vida”, diz. Ele experimenta os fatos da existência como armadilhas, ou como provações. Como tentações. Agarra-se, apavorado, às palavras de Deus: “Uma palavra – foi o que pensou – é uma montanha. É preciso escalá-la, arrebentando-se para o Alto”. Nos relatos do jovem Carrero, o tempo passa, as histórias se desenrolam, as personagens morrem, mas algo parece nunca se esgotar: a experiência da dor. Mesmo quando a serenidade se impõe, bicho traiçoeiro, ela arrasta atrás de si o seu oposto. “Fechando os olhos, porém, Absalão percebeu que aquela era a leveza e a paz que antecedem o ódio”. O homem de Carrero está sempre traindo, nunca pára de trair e trair. “Jamais teremos os rostos iluminados e resplandecentes, enfeitiçados pela luz clara do Cordeiro. Estamos marcados na testa como escravos e ladrões”. Dor que vem desde as origens, como também o pecado. Pecado original, que se infiltra nos atos humanos e os desqualifica.

    Resenhas (1)Ver mais
    Agatha Jordana picture
    Agatha Jordana17/05/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Li duas obras de Raimundo carreiro e consegui notar semelhanças em ambas: a religiosidade e como a imagem da figura feminina é representada. Falando de "as sementes do sol" em específico, cada personagem da história tem sua própria personalidade desenvolvida, no entanto, o que consegui notar foi a tristeza e melancolia que todos compartilhavam. A história tem toda uma atmosfera sombria, onde não há espaço para qualquer tipo de alegria naquela casa, a impressão que tenho é que cada um vive em meio a uma vida monótona e encontram uma espécie de conforto no desconforto da religiosidade. As passagens bíblicas recitadas, as orações e todo ritual sagrado que é de praxe entre as pessoas ali, são feitos como uma forma de obrigação, e quando um personagem decide sair de sua mesmice e vai em busca de experimentar os prazeres carnais da vida, podemos perceber a sua notória mudança. Por fim, o livro trata de temas pesados como o suicídio, incesto, moralidade, assassinato e etc. Não foi uma leitura que me agradei por completo, mas é uma boa para aumentar o repertório de livros.

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    3.6 / 6
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    Raimundo Carrero

    Raimundo Carrero (Salgueiro, 20 de dezembro de 1947) é um jornalista e escritor brasileiro. Como jornalista, trabalhou no rádio, televisão e jornal Diario de Pernambuco durante 25 anos, tendo exercido vários cargos, como os de crítico literário e editor nacional. Foi assessor de imprensa da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade Federal de Pernambuco. Integrou o Conselho Municipal (Recife) de Cultura durante oito anos e o Movimento de Cultura Popular. Até 1998, foi presidente da Fundação de Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe). Em 11 de outubro de 2004, foi eleito para a cadeira 3 da Academia Pernambucana de Letras, tomando posse em 20 de janeiro de 2005. Seu livro Somos pedras que se consomem foi incluído entre os dez melhores livros de 1995, escolhi

    33 Livros
    48 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Raimundo Carrero