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    A Vertente Grega Da Gramatica Tradicional - Uma Visao Do Pensamento Grego Sobre A Linguagem

    Maria Helena de Moura Neves

    Unesp
    2005
    278 páginas
    9h 16m
    ISBN-10: 8571395810
    Português Brasileiro
    4.1
    4 avaliações
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    Esta é uma versão revisada do livro 'A vertente grega da gramática tradicional', de 1987, esgotado há muitos anos, título ao qual se acrescenta agora o subtítulo 'Uma visão do pensamento grego sobre a linguagem', que torna mais transparente o conteúdo da obra. Reedição que surge num momento de efervescência das bases do ensino de gramática, discussão essencialmente centrada nas críticas à gramática tradicional, que muitas vezes remontam à emergência da disciplina gramatical na Grécia, e que, em geral, são nascidas de um desconhecimento das condições em que a disciplina surgiu. Essas condições é que são tratadas neste livro.

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    Christianne de Menezes Gally picture
    Christianne de Menezes Gally05/09/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Nossa gramática é grega

    A gramática tradicional ocidental não pode ser apenas denominada dogmática, normativa, especulativa, não científica sem levar em consideração seu processo complexo de organização cuja origem remonta à gramática grega. Para a autora, a gramática é “uma disciplina que, pelas próprias condições em que surgiu, aparece com finalidades práticas, mas representa um edifício possível sobre a base de uma disciplinação teórica do pensamento sobre a linguagem” (p. 14). O aparecimento da gramática é “um fato da cultura helenística e dela é característico” (p. 14). A obra, portanto, tem como objetivo avaliar o contexto na qual a gramática grega nasce e se desenvolve, a partir das manifestações dos pensadores gregos, por meio de duas excursões: a) da tradição épica aos primeiros gramáticos e b) dos filósofos a Apolônio díscolo, momento em que se busca o “isolamento de entidades que, à medida que se alteram os interesses e as finalidades, passam a constituir fatos de gramática, sistematizados numa gramática” (p. 15). Depois, então, de discutir algumas concepções da linguagem poética e retórica (a dos oradores), sob o ponto de vista dos sofistas e de Platão, a autora se detém na teoria linguística de Aristóteles que se refere à sistematização das categorias – “elas compreendem todas as palavras possíveis ou declarações possíveis e, assim, correspondentemente, compreendem todos os conceitos e todas as coisas’ (p. 75). Para a autora, o ponto fundamental da teoria aristotélica das categorias “é o pensamento da estrutura da língua como correspondência da estrutura do mundo” (p. 75). A gramática surge na época helenística como uma disciplina “independente, constituindo uma exposição sistemática e metódica dos fatos de língua depreendidos das obras literárias”. (p. 114). Em o Crátilo de Platão, cita-se a “gramática como a téchne, “arte”, a que cabe regular a atribuição das letras na formação dos nomes. No Sofista, a gramática vem como modelo para a dialética; é o sistema regulador da combinação dos gêneros. Ela é a arte que permite a possibilidade da combinação eficaz das letras; é, pois, um sistema de regras que gera enunciados múltiplos a partir de certo número de elementos. É absolutamente importante observar que gramma (letra) não tem, aí, o sentido etimológico de ‘símbolo gráfico’ e designa som, pois Platão diz que, entre letras, algumas não concordam entre si, isto é, recusam união, enquanto outras concordam, isto é, consentem união. Saltando-se para a época helenística, tem-se uma grammatiké que é especificamente um exame dos textos escritos, pois seu objetivo é permitir a memória das obras que representam a criação do espírito grego. É uma disciplina de intuito didático. Constitui um exame de fenomenologia da linguagem, um exame dos fatos da língua. Por isso, ela é definida por Dionísio o Trácio como empeiría , conhecimento empírico”. (p. 114). São os gramáticos alexandrinos, porém, que consolidarão a passagem “das considerações sobre linguagem do terreno filosófico para um terreno específico e bem determinado, o terreno propriamente gramatical”. (p. 117), como é o caso de Dionísio o Trácio, considerado o “verdadeiro organizador da arte da gramática na Antiguidade’. (p. 125).

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    Maria Helena de Moura Neves profile picture

    Maria Helena de Moura Neves

    Conhecida por seus trabalhos relacionados à língua em uso, especialmente a gramática funcional do português e suas relações com o texto, Maria Helena de Moura Neves pertence ao seleto grupo de cientistas honorários da história do país, tanto pela sua contribuição na área das línguas quanto por seu engajamento na difusão do ensino a todas as idades, distribuição do conhecimento e busca por excelência no ensino fundamental e médio; Também se destacou enquanto realizava pesquisas sobre a história e o ensino de gramática. Nas várias décadas dedicadas a língua portuguesa foi notória em: - Professora emérita pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, licenciou-se em Letras (em Português-Grego e em Alemão) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, doutora em Letras Clássicas (Grego) pela Universidade de São Paulo, livre-docente (em Língua Portuguesa) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. - Foi membro do comitê de Letras e Linguística do CNPq (1994-1997; 2007- 2010). - Professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da UNESP - Araraquara. Foi Coordenadora do Grupo de Pesquisa Gramática de usos do português do CNPq, pesquisadora da teoria funcionalista da linguagem, as relações entre texto e gramática e a história da gramática. - Em 2014 foi Professor visitante da University of Amsterdam e em 2019 foi Pesquisador visitante da Università G. D?Annunzio, Chieti-Pescara, Itália. - Foi Membro do Conselho Editorial de 11 revistas especializadas e Consultora de 6 Fundações de Apoio à Pesquisa. É Sócia honorária da Associação Brasileira de Linguística - Abralin, Membro honorário do GT "Descrição do português" da Anpoll e Membro da Comissão de Planejamento e Assessoramento das Atividades de Pesquisa e de Publicação do Projeto 4 - "Gramática do português" da Alfal. Bibliografia: A vertente grega da gramática tradicional (Hucitec e UnB, 1987) Gramática na escola (Contexto, 1990) A gramática funcional (Martins Fontes, 1997) Gramática de usos do português (Unesp, 2000) A gramática: história, teoria e análise, ensino (Unesp, 2002) Que gramática estudar na escola? Norma e uso na Língua Portuguesa (Contexto, 2003) Texto e Gramática (Contexto, 2006) A gramática do português revelada em textos (Unesp, 2018)

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    Maria Helena de Moura Neves