Peixe Peludo -

    Rafael Moralez, Rodrigo Bueno

    Conrad
    2010
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788576164173
    Português Brasileiro

    Neste livro, o leitor poderá acompanhar o dia do ranzinza e solitário Peixe trompetista em suas andanças por uma São Paulo zoomórfica, impessoal e familiar. A obra traz o desenrolar de suas lembranças e ideias, que surgem em um fluxo caótico enquanto o protagonista anda por pontos do centro da cidade, como a Praça Roosevelt e a Rua Augusta.

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    Lucas David Muzel01/07/2024Resenhou um livro
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    Eu sou tão descolado

    Os artistas criaram uma obra com animais antropomorfizados. Uma arte no estilo Crumb. O cenário retratado é uma parte do centro de São Paulo, nos arredores do bairro da Santa Cecília, reduto famoso dos hipsters de esquerda descolados. Também foram chamados de “santa ceciliers”, em resposta aos yuppies engravatados “faria limers”. Mesmo sem essa ambientação, o estilo de pensamento é bem claro. A caixa de pensamento está na forma “fluxo de consciência”, que mostra o eterno pular de pensamento de uma mente inquieta mediana. Essa técnica foi usada pela primeira vez na literatura no século XIX. A intenção era parecer profundo, de gerar identificação com parte dos discursos. Ou até mesmo um tipo de indignação, pois uma parte da mensagem está desalinhada com o que esse grupo considera “consenso” e “verdade absoluta e inquestionável”. Dessa maneira, a mensagem seria poderosa, absoluta, neutra e inquestionável. Afinal, qualquer tipo de crítica estaria inclusa na desconstrução da realidade e da obra em si. A HQ é toda pós-moderna, desconstrutiva e, principalmente, niilista. Schopenhauer ficaria muito orgulhoso. Suas páginas exalam um aroma de ansiolítico. Enquanto lia, certa hora pensei: "eu deveria achar isso engraçado". Não tive reação positiva e nem negativa. Analisava os elementos, e tentava imaginar até onde isso ia. Como notei logo cedo que se tratava de um conceito pós-moderno, obviamente não teria reviravolta. Iria nesse ritmo até o final. Sem quebra drástica na narração e sem mudança de personagem. Pensei, por exemplo, que seria inovador se os pensamentos não fosse do peixe músico, e sim do morador de rua. Como se ele se tornasse o protagonista. Mas não foi o caso. O roteirista se projetou em um único alvo, e usa páginas e páginas para demonstrar como a vida realmente é. Que ele é um artista foda, pois ele mostra como ele é um merda. Se elevar ao demonstrar que estamos todos nesse niilismo. A obra tenta se tornar única, com uma “voz criativa” potente. Mas é uma dentre as vozes que ultrapassaram o niilismo, consequência direta da fragmentação moral, ética e religiosa desses últimos 200 anos.

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