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    A Serpente Emplumada - Quetzalcoatl

    D. H. Lawrence

    Círculo do Livro
    1981
    458 páginas
    15h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    5 avaliações
    Leram15Lendo2Querem32Relendo0Abandonos2Resenhas1
    Favoritos0Desejados32Avaliaram5

    A Serpente Emplumada, romance narrado em terceira pessoa, conta a aventura de Katherine Leslie (Kate), irlandesa de 40 anos, bela e requintada, em terras mexicanas. Segundo a narrativa, Kate é alta, cheia de corpo, olhos cor de avelã que expressam tranquilidade. Procura manter-se distante das pessoas que observava com certo divertimento desinteressado, como se estivesse lendo as páginas de um romance. Tinha dois filhos do primeiro marido, de quem se divorciara para casar-se com o general Leslie. Não obstante ter assumido o papel de esposa "feliz", no mais profundo de si mesma, lutava contra sua persona social. Ela desejava, acima de tudo, livrar-se da submissão imposta pelo casamento, bem como do automatismo europeu. Era habituada a conviver com diversas classes sociais, apesar de sua alma não encontrar espaço e ela se sentir inquieta e solitária.

    Resenhas (1)Ver mais
    Pedro LDC Viegas picture
    Pedro LDC Viegas15/11/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Serpente Emplumada

    A Serpente Emplumada é o deus asteca Quetzacoatl, uma divindade complexa da antiga civilização pré-colombiana. O romance conta a história de Kate (Katherine) Leslie, uma irlandesa rica e sofisticada vivendo no México em busca de rumo para sua vida. A narrativa alterna entre a interação da protagonista com outros personagens e a construção de um ambiente psicológico que o narrador apresenta como inerente ao México e ao nativo mexicano. O narrador descreve um clima de hostilidade velada entre os nativos, os trabalhadores, e aqueles que ousam ser possuidores de algo. A questão social e política ligada à revolução socialista mexicana compõe um evidente pano de fundo psicológico. Um dos principais eixos narrativos é a tentativa de resgatar a antiga divindade como símbolo de renascimento espiritual do México. Kate acaba envolvida por esse movimento, e sua jornada pessoal se entrelaça ao projeto mítico de reviver Quetzacoatl como emblema de uma nova ordem espiritual e cultural. As descrições ao longo do livro tornam-se entediantes, mas são um elemento essencial quando consideramos que essas descrições apontam uma natureza à parte da natureza do resto do mundo. Não é uma natureza de Deus, cristã, mas uma natureza sanguinária. A figura de Ramón, líder carismático do culto, encarna esse esforço de reconexão com as raízes pré-colombianas, propondo uma fusão entre o passado mítico e um futuro regenerador. Faz parte do esforço de Ramón preparar o povo para a volta do deus, e para isso distribui uma série de textos (hinos) que eu não creio estar exagerando em tratá-los como um evangelho do Quetzacoatl redivivo. É frequente a descrição do “tipo mexicano” sob o olhar de Kate, o que confere um contorno erótico a certas passagens do livro — sugerindo não apenas o desejo, mas também a tensão entre o olhar estrangeiro e o corpo simbólico do México. Na trama é visível a ambiguidade dos sentimentos da protagonista em relação ao país. Num certo momento nota o povo infestado de parasitas, noutro momento admira sua beleza. É num clima de ambiguidade emocional que a protagonista escolhe assumir um importante papel no movimento de Ramón. Enfim, o autor monta todo um cenário político, psicológico e social para criar as condições ideais para um povo aceitar placidamente a subida de uma aristocracia quetzalcoatliana que suprime o cristianismo e outros elementos do mundo moderno. Há semelhanças com a proposta de Julius Evola, contudo enquanto este propõe uma aristocracia solar para a Europa, D.H. Lawrence viaja numa proposta para o México. É como se D.H. Lawrence dissesse que o México não necessitasse de salvação, mas sim de um modo de realizar uma sinistra vocação. 15/11/2025

    6 curtidas

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    3.8 / 5
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas40%
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    David Herbert Lawrence profile picture

    David Herbert Lawrence

    David Herbert Lawrence ou D. H. Lawrence (Nottingham, 11 de Setembro de 1885 — Vence, 2 de Março de 1930) foi um controverso e prolífico escritor inglês, conhecido pelos seus romances, poemas e livros de viagens. Lawrence pertence à escola modernista. A sua obra aborda temas considerados controversos no início do século XX, como a sexualidade e as relações humanas por vezes com características destrutivas e estende-se a praticamente todos os géneros literários, tendo publicado novelas, contos, poemas, peças de teatro, livros de viagens, traduções, livros sobre arte, crítica literária e cartas pessoais. Em conjunto, a obra expõe uma alargada reflexão sobre os efeitos desumanizantes da modernidade e da industrialização. Os temas que Lawrence abordou tornaram a obra importantíssima para a compreensão de uma época influenciada por Freud e por Nietzsche. "O Amante de Lady Chatterley" foi proibido na época e passou a circular clandestinamente. "O Arco Íris" foi considerado obsceno. E "Mulheres Apaixonadas" foi recusado pelos editores de Londres, só foi publicado cinco anos depois em Nova Iorque. Além de escritor, Lawrence também era pintor e produziu muitas obras expressionistas.

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    David Herbert Lawrence