Entrar
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Preconceito de Marca - as relações sociais em Itapetininga

    Oracy Nogueira

    edusp
    1998
    245 páginas
    8h 10m
    ISBN-13: 9788531404405
    Português Brasileiro
    4.5
    1 avaliação
    Leram5Lendo1Querem20Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados20Avaliaram1

    Combinando dados históricos e estatísticos com etnografia e observação direta, Oracy Nogueira analisa as relações raciais em Itapetininga do século XVIII ao XX. O padrão de discriminação racial desvendado – o preconceito racial de marca – é válido também para todo o país, de acordo com o autor, e contrasta com outros padrões, como o preconceito racial de origem nos Estados Unidos. Sua ideologia é ambivalente, pois à aparência misturam-se outros critérios de classificação, tais como a situação de classe e a distância social. Originalmente, o estudo integrou o volume Relações Raciais entre Negros e Brancos em São Paulo (organizado por Florestan Fernandes e Roger Bastide, em 1955), publicação que não chegou a tornar conhecido esse estudo, apesar de sua consistência e marcante originalidade.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Pablo Pax picture
    Pablo Pax09/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Preta pra cozinhar, mulata pra fornicar, branca pra casar...

    Preta pra cozinhar, mulata pra fornicar, branca pra casar... Este é o melhor livro para se entender as relações raciais no cotidiano brasileiro sem viés ideológico. Oracy Nogueira (1917-1996) foi um sociólogo da chama Escola Paulista de Sociologia e, a partir de estudos empíricos, fez uma distinção que hoje é clássica nas ciências sociais sérias: preconceito de marca e preconceito de origem. Preconceito de marca é o que predomina no racismo à brasileira, de tradição e cultura ibéricas: os brasileiros julgam as identidades raciais do outro a partir de critérios marcados no corpo deste outro (daí a "marca"): cor da pele mais ou menos clara, formato do nariz e em especial a tessitura do cabelo. Cabelo crespo no Brasil, por exemplo, é marcador de racialidade; ainda que a pessoa tenha a pele clara, não consegue 'esconder' suas origens, como já cantava o refrão de uma famosa marchinha dos anos 1930 (o teu cabelo não nega, mulata...) Preconceito de origem é o que predomina em países de língua inglesa, como os EUA, de tradição e cultura anglo-saxãs: para os britânicos a marca é irrelevante porque o que importa é a origem e não a aparência, assim uma avó não-branca fará do indivíduo (e este indivíduo assim se verá) como não-branco, independentemente da cor de sua pele ou da tessitura de seus cabelos. Só como exemplos: a maioria dos ruivos tem cabelos crespos, e dos famosos que vemos na mídia com cabelos lisos, são alisados (a famosa chapinha ou progressiva); e cerca de 15% dos europeus têm cabelos crespos (incluso os países da Escandinávia). Para trazer estes conceitos para a realidade, é só pensar em artistas como a Zendaya (negra) ou Ariana Grande (latina): nos EUA elas são vistas e se veem como não-brancas, dadas as lentes do preconceito de origem, mas se fossem criadas no Brasil, seriam vistas pelas lentes do preconceito de marca e passariam facilmente por garotas brancas, devido ao fenótipo e, juntando a ele, a classe social, a riqueza e a fama que ambas têm (a ascensão social pode vir a 'embranquecer'). Já Sonia Braga, Camila Pitanga e Alice Braga (do filme Cidade de Deus), Bruna Marquezine e Isis Valverde, brasileiras, jamais seriam (ou foram) vistas como brancas nos EUA porque neste país a classe, a fama ou a riqueza não tem o poder de 'embranquecer'. Tais percepções sociais têm fundamentos na história. O racismo institucionalizado nos EUA precisou criar demarcadores para estabelecer as fronteiras entre quem era ou não branco e isso, algo que pouco gente sabe, influenciou todo o aparato jurídico do nazismo para demarcar juridicamente a fronteira de quem era judeu (três avós judeus identificavam o indivíduo como judeu, ainda que ele tivesse traços caucasianos e fosse católico, protestante, ateu e nada soubesse da cultura judaica). Atualmente, vemos termos como racismo recreativo ou colorismo circulando na sociedade brasileira como se fosse algo novo, mas Oracy Nogueira já tratou disso nos anos 1950. Colorismo seria só mais um critério (estético) típico do preconceito de marca, que já aparece num ditado machista do Brasil do século XVIII: "preta pra cozinhar, mulata pra fornicar, branca pra casar". Racismo recreativo é típico de sociedades cujo preconceito é menos de origem e mais de marca. O brasileiro faz piada racista (e blackface em programas de humor da Globo em plenos anos 2000!) e diz que não passa de brincadeira, sem perceber que as piadas são sempre feitas em momentos de conflito ou de competição (jogos de futebol, mercado de trabalho e relações afetivas, principalmente) justamente para preservar a hierarquia e as desigualdades. Alfim, Oracy Nogueira faz sociologia de primeira linha nesta obra hoje clássica. Para quem quiser entender sobre o tema de modo profundo, vale a leitura, dada a riqueza da análise, a clareza da escrita e a didática da exposição. Abaixo, segue a apresentação do livro na contracapa: "Combinando dados históricos e estatísticos com etnografia e observação direta, Oracy Nogueira analisa as relações raciais em Itapetininga do século XVIII ao XX. O padrão de discriminação racial desvendado - o preconceito racial de marca - é válido também para todo o país, de acordo com o autor, e contrasta com outros padrões, como o preconceito racial de origem nos Estados Unidos. Sua ideologia é ambivalente, pois à aparência misturam-se outros critérios de classificação, tais como a situação de classe e a distância social. Originalmente, o estudo integrou o volume Relações Raciais entre Negros e Brancos em São Paulo (organizado por Florestan Fernandes e Roger Bastide, em 1955), publicação que não chegou a tornar conhecido esse estudo, apesar de sua consistência e marcante originalidade."

    17 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 1
    • 5 estrelas100%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas1
    • Leitores26
    • Similares0