De toda madeira queimada no quinal, mamãe aproveitava as brasas. Esperava que virasse carvão para amontoar os pedaços num saco de linhagem, armazenado num canto da cozinha. Para ser útil, o carvão voltava a virar brasa dentro do ferro de passar. Quando as brasas estavam para perder a incandescência recém-adquirida, ela levantava o ferro pela empunhadura de madeira até a altura do rosto e, pela abertura em V, soprava o vento de fole dos pulmões amazônicos. Enquanto o sopro reavivava o calor das brasas, os olhos se fechavam com receio da fuligem, da cinza e do voo incerto e daninho das faíscas. Sua face se afogueava e os olhos se recobriam de lágrimas.
