demorô -

    paulo kauim

    thesaurus
    2008
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788570627643
    Português Brasileiro

    Pela orelha. A poesia entrou em mim pelo ouvido via-voz do meu pai repentista ainda na infância em Pernambuco. Ao final da adolescência, o impacto que tive com a poesia concreta me deixou sem falar. Fiquei sem saída. Fui reler João Cabral para sair da encruzilhada-xadrez de estrelas-xequemate de galáxias. Levei quase trinta anos para publicar este livro. Já havia decidido morrer sem publicá-lo, porém a psicanálise e as falas guerreiras de Francisco Kaq, José Carlos Viera, Sérgio Vaz, Bob e SJ mudaram essa vontade mórbida em mim. Publicar um livro de poemas no território de Gregório de Matos Guerra, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, na língua de Camões, Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Al Berto é muita responsa, mano. Mas eu sou vários. Aqui o leitor encontrará, sem ordem cronológica, uma polifonia de textos ora de um jovem aos 20 e poucos anos, metafísico-verborrágico, ora encontrará textos concisos de um jovem senhor desobediente e transgressor em seu ofício que, aos 46 anos, reflete sua quebrada, sua nação, a língua e a linguagem do povo dessa paisagem. Esta obra é o contrário do Google. A Arte, como a Ciência, é para erigir perguntas, provocar afectos e perceptos. Aqui o tempo é da palavra, mítico, abissal, epifânico. Demorô !

    Resenhas (1)Ver mais
    Ingrid Johanna picture
    Ingrid Johanna03/12/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Demorô mesmo.

    Curso Biologia no IFB. Tenho aulas de Anatomia Vegetal às 20h. Cheguei mais cedo hoje e fui à biblioteca do campus. Olhei algumas estantes na procura de um livro de poemas. Minha ideia era ler algo rápido antes da aula. Encontrei esse livro, com capa interessante ( chamou a minha atenção) e título com "uma pegada jovem". Só sei que consegui devorá-lo. Cheguei atrasada na aula,mas concluí a leitura. " Arte só é arte quando incomoda", salientou Paulo em uma das suas páginas e é o que acontece com alguns poemas . Pergunto-me como um livro de 2008 Pode ser atual. Falar de AI 5? 1963? Falar de índio? Falar de Negro? Falar de classe média? Melhor quando contextualiza com Brasília, lugar onde habito. Só me fisgou ainda mais. E quando fala de Bashô, justo quando tenho trabalhado com meus alunos sobre HaiKai. Estou maravilhada! Há uma versatilidade, há poema concreto, há HaiKai, há versos livres, há muita bagagem cultural. Há muito amor nesse livro. Eu estou apaixonada como flor de cerejeira, pousada nas linhas de Kauim.

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