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    Sardenha como uma infância -

    Elio Vittorini

    Cosac Naify
    2011
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788575039649
    Português Brasileiro
    3.7
    22 avaliações
    Leram31Lendo3Querem32Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos3Desejados32Avaliaram22

    Sardenha como uma infância está dividido em 43 capítulos curtos, em que o leitor entra em contato com a realidade viva da Sardenha pelo poder de evocação do narrador e por seus extraordinários dons de observação. O texto é fluente, poético, porém nada tem de casual. É comandado por um hábil narrador que controla o ritmo, distribui o material descritivo e decide como impactar o leitor. Podem ser cabras, asnos, lavradores encapuzados, sinos enormes. Ou pássaros, escadarias vistas de ângulos inusitados, torres, granitos, altiplanos, encostas. Elio Vittorini não se impressiona com os vestígios da cultura milenar, como a visão dos nuragues (as torres cônicas de pedra, de mais de sete mil anos). Prefere se fixar na expressão de um camponês com uma barba de dez dias. Descreve homens que extraem cortiça dos sobreiros, um chinês que circula carregado de colares, uma velha centenária. Ouve as vozes de colegiais que respondem em coro às perguntas de um professor, vindas do pátio de uma igreja. O narrador – ele mesmo – se imiscui na narrativa, aqui e ali, de modo peculiar. Atira-se nu na água gelada. Tem vontade de trocar socos com seus companheiros de viagem. Imagina o sono sensual das mulheres, à tarde, por trás das cortinas de junco.

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    Silvio Tanabe picture
    Silvio Tanabe27/10/2013Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Pelas fotos do Google, hoje vejo a Sardenha como uma ilha paradisíaca em que os milionários europeus vão passar as férias com seus iates. Mas no livro, Elio Vittorini nos transporte para uma ilha perdida, em que os homens vivem como que parados no tempo, em contado direto com a natureza bruta do sul da Itália, que pode ser bela mas também cruel. Trecho "Em qualquer porta que tenha o aspecto de uma quitanda pergunto se posso comprar alguma fruta. Estou com fome. Mas só tem tomates para vender. Mandam-me de porta em porta, e em todo canto só vendem tomates. Ou cebolas roxas. Depois, como numa inesperada providência, me apontam um rapaz de veludo à caçadora que atravessa a rua. É o primeiro homem que vejo aqui, e ele leva nos ombros uma vara carregada de coisas. Coisas com penas. Perdizes. A três liras o par - oferece. Mas sinto que alguém me espia. É um velho munumental, em andrajos de veludo. Um curioso do lugarejo. Assim que percebe que tenho a intenção de falar com ele, para cortar conversa, me ataca à queima-roupa perguntamos se viemos a Terranova para caçar. É verdade, respondo. E até sorrio, tentando inverter o jogo e fazer eu mesmo as perguntas. Mas o velho me esquadrinha da cabeça aos pés, cumprimenta vem voz baixa e me vira as costas… Sabia certamente que não tínhamos vindo para caçar, e minha resposta impensada me tornou, aos seus olhos, indigno de qualquer consideração humana. Entendo que sua pergunta era mais uma exclamação, um modo de expressar seu espanto diante do fato de termos vindo de lá do continente para este seu deserto de caça, sendo que não éramos caçadores.”

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 22
    • 5 estrelas23%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
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    Elio Vittorini

    Romancista, crítico e tradutor notável, Elio Vittorini (1908-1966) foi um dos mais expressivos e atentos animadores do debate cultural do pós-guerra. Ao lado dos amigos Italo Calvino, Cesare Pavese e Eugenio Montale, é um dos maiores escritores da literatura italiana do século XX. Depois de Conversa na Sicília (1941), escreveu Homens e não (1945), provavelmente o primeiro romance da Resistência. Este livro narra a história de um grupo de partigiani - homens determinados, mulheres decididas e sedutoras -, na luta cruel contra o nazifascismo na Itália, e é também o testemunho de um intenso amor naqueles tempos sombrios e violentos na cidade de Milão. Sua produção narrativa, com visada de poeta, é o documento de uma paixão que leva a literatura ao coração dos problemas humanos e das contradições sociais e políticas, antes e depois do fascismo.

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    Elio Vittorini