Fogo na Cidade -

    LAURO MARTINES

    Record
    2011
    364 páginas
    12h 8m
    ISBN-13: 9788501081582
    Português Brasileiro

    'Fogo na cidade' descreve um momento-chave na história da Renascença, lançando luz sobre um homem que dominou o período: Girolamo Savonarola, um reformador dominicano que se dedicou à filosofia e à medicina. Nesse centro do Renascimento, opôs-se imediatamente à vida pagã e freqüentemente contra a imoralidade prevalecente em muitas classes da sociedade, em especial na corte de Lourenço de Médici. Foi tomado ao mesmo tempo por um zelo intenso para com a salvação das almas, e estava pronto a arriscar tudo a fim combater as fraquezas humanas. Os discursos inflamados contra a corrupção moral religiosa e política moveram muitos corações. Como resultado de sua mensagem, pessoas se desfaziam de obras de arte, jóias e outros objetos, que eram colocados sobre imensas fogueiras, chamadas de "fogueiras da vaidade". Atacava violentamente os crimes do Vaticano e um cisma começou a se prefigurar. Mesmo assim, Savonarola prosseguiu com suas pregações cada vez mais violentas contra a Igreja de Roma, recusando-se a obedecer as ordens papais recebidas.

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    Daniel de Oliveira Ferreira24/10/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Além do Frade, a Política

    A intenção do autor é contar a história de Girolamo Savonarola, frade dominicano que adotou a cidade de Florença, em fins da Idade Média, para levar adiante sua cruzada moralizadora contra os vícios da sociedade e, principalmente, a renovação da Igreja Católica que, à época, comercializava cargos, principalmente para cardeais e para o próprio papado e a castidade era um preceito pouco observado. Pode-se dizer que ele foi o predecessor de Martin Lutero, porém sem conseguir alcançar seu objetivo e foi devidamente silenciado por seus inimigos, laicos e religiosos. Mas para bem demonstrar o ambiente da época (últimos 10 anos do século XV) o autor apresenta com riqueza de detalhes o sistema político florentino, com as diversas esferas de representação e decisão, tais como a Signoria (magistrados), os Oito (polícia), os Doze (conselheiros), os Dezesseis (conselheiros) e os Dez (responsáveis por conduzir as guerras). Claro que nesta República todos os cargos importantes eram distribuídos entre os homens de famílias florentinas importantes e o povo (popolo) ficava, quando muito, com os restos. Um detalhe que achei interessante é o julgamento e condenação de envolvidos em uma conspiração anterior à chegada de Savonarola a Florença. Os líderes (de famílias importantes) foram multados, perderam bens e direitos políticos, mas os mensageiros (do popolo) foram condenados à morte. Desta forma, conhecemos duas histórias, a do homem e a da cidade, em um único livro.

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