História interessante, final incongruente.
Depois de ler "Hamnet", belíssima história escrita por Maggie O'Farrell, entrei em uma obsessão/fascínio mórbido em relação aos relatos sobre a grande peste. Além de ver documentários e escutar podcasts, achei esse livro da Geraldine Brooks. Premissa muito interessante, baseada na história real de Eyam, um povoado inglês que se isolou das cidades vizinhas em 1666 devido a um surto da peste bulbônica. O início é muito interessante e eu gostei bastante do desenvolvimento dos personagens que passam por perdas terríveis e dramáticas. Com o tempo, temos um sentimento de que o texto se repete e, apesar de incômodos, os relatos das mortes passam a chocar menos, o que pode ser uma boa estratégia narrativa da autora, já que os personagens têm que de uma certa forma banalizar a morte para seguirem com suas vidas. Portanto, isso não se dá sem efeitos psicológicos e sociais, algo que também é bem demonstrado pela autora. O principal problema para mim é o final. Achei a solução dada pela autora ruim e nos tira de um universo sofrido, mas bem construído, que ela nos proporcionou. Eu gostaria de ter visto mais da reorganização social do povoado e não somente da reconstrução da personagem principal.

