Patagônia promove uma mistura explosiva de gêneros. Até onde vai o emocionante western e onde começa o apurado romance histórico? O primeiro romance do contista mineiro João Batista Melo possui um ritmo tão envolvente que o leitor mal terá tempo para pensar a respeito antes de chegar na última página. O livro conta a história de Otaviano Caldeira, um homem carregado de culpa e em busca de vingança. Para encontrar o assassino de seu irmão, ele percorre um longo caminho que vai de Diamantina, Minas Gerais, passando pelo Rio de Janeiro e Buenos Aires até chegar na região de Cholila, na Patagônia. A distância é apenas um obstáculo, porque o assassino de Virgílio Caldeira é o homem mais procurado pela lei americana. Trata-se do ladrão e matador, que conseguiu escapar dos mais experientes homens da agência de detetives Pinkerton. Seu nome: Butch Cassidy. Mais velho de uma família de imigrantes ingleses, nascido em Utah, em 13 de abril de 1866, Robert Leroy Parker teria adotado o nome de George Cassidy quando esteve preso na Penitenciária de Wyoming. Após uma longa carreira de crimes, Butch e seu parceiro, Sundance Kid, se refugiaram na Patagônia argentina. Através da narrativa que corre em paralelo nos Estados Unidos, interior de Minas, no Rio de Janeiro e na Patagônia durante os primeiros anos do século XX, o autor indica como as motivações dos homens são semelhantes em universos tão distintos. A idéia do oeste selvagem está mais próxima do que parece. Em qualquer lugar sempre existirão desertos, cavalos, armas. Assim como cobiça, solidariedade, injustiça e os interesses de poderosos, que ditam suas leis. Para realizar esse livro, o autor realizou uma extensa pesquisa, que inclui seis viagens à Patagônia, percorrendo os mais de dez mil quilômetros nos territórios chilenos e argentinos daquela região. O trabalho valeu a pena. João Batista conseguiu reconstruir minuciosamente a passagem da dupla Butch Cassidy e Sundance Kid pela Argentina, bem como os aspectos históricos e paisagísticos que montam o pano de fundo da obra. Em seus arquivos constam fotos, mapas, cópias de jornais da época e uma série de entrevistas com filhos e netos das pessoas que conviveram com os bandoleiros.


