Por mais estranho que possa parecer, a ideia de progresso tem história. Nem todas as sociedades e formações humanas ao longo do tempo adotaram o conceito visando orientar, produzir e justificar a sua existência. Se o domínio do homem sobre a natureza a isto se convencionou chamar progresso é um valor fundamental de nossos tempos, historicamente, um tal poder do homem sobre as chamadas forças naturais foi também percebido como catastrófico. Partindo da historicidade da ideia de progresso, o trabalho pretende desenvolver uma reflexão crítica das mais contemporâneas técnicas de produção do homem. As chamadas tecnologias de ponta de nosso tempo, a microbiologia, a genética, são tomadas a partir de uma leitura crítica da noção de progresso, são pensadas a partir de uma concepção trágica de tempo, ou dito de outra forma, a partir de uma concepção não salvacionista e redentora do homem.