Mistérios da Literatura - Poe, Machado, Conrad, Kafka

    Daniel Piza

    Mauad
    2005
    119 páginas
    3h 58m
    ISBN-10: 8574781649
    Português Brasileiro

    O que nos liga ao nosso passado? Como manter o ânimo quando sabemos do que outra? O que faz uma experiência valer mais a pena do que outra? Por que o ser humano continua a esperar mais do que é possível? Essas são as perguntas feitas por Mistérios da Literatura, em que o jornalista e escritor Daniel Piza analisa Poe, Machado, Conrad e Kafka e conclui que "toda literatura é de mistério - não o mistério como encarnação sobrenatural, mas como incompreensão natural".

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    Mara Vanessa Torres30/12/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro traz reflexões e memórias de um dos maiores nomes do jornalismo cultural brasileiro e sua relação com quatro escritores universais

    Em artigo publicado em uma renomada revista cultural brasileira, o jornalista Daniel Piza escreveu sobre a influência da leitura na vivência dos personagens literários, criando ou destruindo determinados modelos comportamentais e processos de significação. Piza destacou a presença dos livros na transformação e no destino de protagonistas famosos, como Emma Bovary (Madame Bovary, romance do francês Gustave Flaubert), Dom Quixote (personagem do livro homônimo escrito por Miguel de Cervantes), Hamlet (cultuada peça de Shakespeare) e Julien Sorel (O Vermelho e o Negro, de Stendhal). Os exemplos são muitos. Em toda a história da literatura, existem personagens fortalecidos e metamorfoseados por meio do encontro libertador com a leitura, peça-chave na mudança de vida e consciência. Como destacou Piza, são as palavras vivas dos folhetins românticos que fazem Emma Bovary, por exemplo, detestar a “existência pela metade” que tem ao lado do frígido marido; as novelas de cavalaria encontradas em Amadís de Gaula são responsáveis por Dom Quixote, fidalgo sonhador, enveredar pela loucura fantasiosa com o intuito de viver uma existência com sentido, por mais paradoxal que isso possa soar quando se trata das aventuras imaginárias do cavaleiro visionário e de seu fiel escudeiro Sancho Pança. Ao escrever esse artigo, Daniel Piza não poderia imaginar que ele próprio se tornaria um personagem-leitor completo e inspirador. Nem mesmo a morte — que o arrancou precocemente do convívio neste plano, em dezembro de 2011, aos 41 anos -, foi capaz de ter força suficiente para retirá-lo da lembrança de todos os que o amam e o admiram. E acredito que ela nunca encontre espaço para exercer esse poder, tal é a grandeza da contribuição do jornalista para o universo cultural. Daniel foi prolífico em todas as atividades que se propôs a realizar, sejam elas suas produções jornalísticas, a publicação de seus 17 livros em apenas duas décadas de carreira, traduções e incontáveis pesquisas. A enorme capacidade de praticar todas as formas de texto jornalístico (entrevista, reportagem, crítica, crônica, ensaio, polêmica) e de optar pela independência do espírito são alguns dos atributos que o mantém perto do coração saudoso de seus leitores. Comigo não é diferente. Com o passar do tempo, sinto ainda mais falta das ideias e opiniões expressas por Daniel nas colunas diárias e semanais, assim como na antiga ansiedade que eu nutria sempre que o lançamento de um novo livro do jornalista era anunciado. Diante dessa ausência, busco alternativas humanamente possíveis para visitar e revisitar o universo criado por Piza. Entre as opções deixadas pelo escritor e jornalista, escolhi “trazer para perto” o livro “Mistérios da Literatura: Poe, Machado, Conrad, Kafka” (editora Mauad, 2005, pág.119), um trabalho que une reflexão e impressão sensorial, linguagem técnica e memorialismo. Dividido em quatro capítulos, o autor registra nos títulos de abertura a essência do que o leitor pode encontrar em cada fase: os choques de consciência e descoberta impulsionados pela leitura de Edgar Allan Poe na adolescência; a confusão mental e as desilusões humanas que começam a ser experimentadas na fase juvenil, também percebidas nos personagens de Machado de Assis; os grandes riscos e escolhas observados por Joseph Conrad, sentidos na pele quando as responsabilidades e decisões batem à porta, e o eterno universo de incertezas que é a vida, uma solução milagrosa que nunca chega, como bem refletiu Franz Kafka em seus textos. P.S: Leia a resenha completa no portal interrogAção.

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