Esta é a obra mais grandiosa que já li, e não somente em tamanho físico, mas na ambição do autor ao escrevê-la.
Thomas Mann revisita, por 1500 páginas, a história de José do Egito que todos nós conhecemos e aprendemos quando éramos crianças. No entanto, essa não é uma recontagem qualquer. Mann adiciona a sua característica grande dose de filosofia e sociologia à uma história que, por si só, já era grandiosa. Há muito aqui das divagações que vemos em A Montanha Mágica, igualmente válidas e bem posicionadas na história.
Só consigo imaginar o nível de pesquisa que o autor precisou para estender como estendeu essa narrativa. Se não me engano, a escreveu durante seu exílio nos Estados Unidos, enquanto professor da Universidade de Princeton, o que pode ter lhe dado um acesso privilegiado ao material de pesquisa necessário.
A leitura foi um desafio: são quatro livros em uma única edição em Inglês. Gostei muito do primeiro e do último, os quais notei que são mais factuais, o segundo não ficando muito atrás. No terceiro, Joseph in Egypt, é onde mais aparecem os conflitos filosóficos, o que acarreta em uma leitura um pouco mais pesada e parada.
Estou feliz de ter finalmente lido esse livro. Ganhei há 4 anos essa edição e enrolei muito para começar. Gostei da experiência do contraste entre minhas memórias de infância sobre a história em conflito com uma releitura “adulta” dos mesmos fatos.
Muitos chamam de a obra da vida de Mann, muito pelo mérito óbvio aqui. Apesar de sentir uma conexão emocional maior com A Montanha Mágica e pessoal com Os Buddenbrook, aqui senti uma conexão mais no sentido de memória afetiva, quase que uma infância revivida.