Então de súbito a boca de Arnie parou de mover-se. Ele também parou de caminhar. Os olhos se dilataram... e pareceram explodir. A boca começou a torcer-se e a mão que segurava a dela de repente se contraiu impiedosamente, esmagando-lhe dolorosamente os ossos dos dedos. - Arnie... O ruído do jato diminuía, mas ele parecia não a ter ouvido. Os punhos se crisparam com mais força. A boca se fechera e agora formava uma horrenda careta de surpresa e terror. Leigh pensou 'Ele está tendo um ataque do coração... um infarto... alguma coisa!' - o que há de errado, Arnie? - gritou ela. E ele: - Ooowwwhoww, como doi! Por um insuportável momento, a pressão na mão que, até bem pouco, ele segurara tão leve e tão caranhosamente, intensificou-se de tal maneira, que os ossos poderiam estilharçar-se e quebrar-se. A cor do rosto dele desaparecera e sua pele adquirira a cor acinzentada de uma lousa sepulcral. Ele emitiu apenas uma palavra - "Christine!" - e, de repente, soltou a mão de Leigh. Correu para adiante, batendo com a perna no pára-choque de um Cadilac, desequilibrando-se, quase caindo, equilibrando-se e recomeçando a correr. Por fim, Leigh percebeu que era algo relacinado ao carro - o carro, o carro, sempre o maldito carro - e em seu peito surgiu uma fúria amarga, total e desesperada. Pela primeira vez, perguntou-se se seria possível amá-lo, se Arnie o permitiria.
Christine (Mestres do Horror e da Fantasia) -
Stephen King
Francisco Alves
1983
548 páginas
18h 16m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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