Christine (Mestres do Horror e da Fantasia) -

    Stephen King

    Francisco Alves
    1983
    548 páginas
    18h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Então de súbito a boca de Arnie parou de mover-se. Ele também parou de caminhar. Os olhos se dilataram... e pareceram explodir. A boca começou a torcer-se e a mão que segurava a dela de repente se contraiu impiedosamente, esmagando-lhe dolorosamente os ossos dos dedos. - Arnie... O ruído do jato diminuía, mas ele parecia não a ter ouvido. Os punhos se crisparam com mais força. A boca se fechera e agora formava uma horrenda careta de surpresa e terror. Leigh pensou 'Ele está tendo um ataque do coração... um infarto... alguma coisa!' - o que há de errado, Arnie? - gritou ela. E ele: - Ooowwwhoww, como doi! Por um insuportável momento, a pressão na mão que, até bem pouco, ele segurara tão leve e tão caranhosamente, intensificou-se de tal maneira, que os ossos poderiam estilharçar-se e quebrar-se. A cor do rosto dele desaparecera e sua pele adquirira a cor acinzentada de uma lousa sepulcral. Ele emitiu apenas uma palavra - "Christine!" - e, de repente, soltou a mão de Leigh. Correu para adiante, batendo com a perna no pára-choque de um Cadilac, desequilibrando-se, quase caindo, equilibrando-se e recomeçando a correr. Por fim, Leigh percebeu que era algo relacinado ao carro - o carro, o carro, sempre o maldito carro - e em seu peito surgiu uma fúria amarga, total e desesperada. Pela primeira vez, perguntou-se se seria possível amá-lo, se Arnie o permitiria.

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    Clio picture
    Clio30/08/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Até agora eu não consegui entender muito bem como alguém consegue escrever uma história sobre um carro possuída e torná-la aterrorizante. Mas, essa foi a grande jogada de Stephen King... ele não explica, apenas faz. Dennis, o personagem que relata os acontecimentos, é um rapaz não muito brilhante e isso fica óbvio com o passar do tempo. Ele é uma pessoa que sem seus dotes atléticos, terminaria fazendo algum tipo de trabalho simples, sem grandes perspectivas e justamente por isso, é tão fácil acreditar no que ele conta. A história de Arnie, Leigh e Christine, vista sob seus olhos, tem um certo ar fantástico, típico de quem ainda está saindo da adolescência e acredita nas histórias de lobisomem que aquele tio bêbado jura que é verdade. E é através dessa mentalidade que vemos Christine, um Plymouth Fury, massacrar várias pessoas no decorrer dos capítulos. Aos leitores contumazes, não há nenhuma indicação ao universo de A Torre Negra, embora o tema de máquina assassina seja revisitado em outros contos, assim como um carro agindo como uma espécie de portão dimensional. Recomendo.

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