"Como a poesia chega a mim
Ela vem tropegando por sobre os
Seixos à noite, fica
Acuada fora do
Alcance da minha fogueira
Vou ao seu encontro no
Limite da luz" página 159
Assim como um oriental, mas ciente de seu papel como poeta beat dos EUA, Gary Snyder nos situa em seu texto. Aqui vamos encontrar poemas descritivos da vida simples do trabalho no campo, nas florestas, o convívio com gente comum, vizinhos, animais, Thoreau revisitado. Por vezes é complexo e necessita da leitura das notas explicativas, mas no geral é muito direto.
O melhor do livro são os ensaios sobre literatura, sociedade e natureza. Dialogam com os textos sagrados, consagrados do pensar indígena e das populações tradicionais do terceiro e quarto mundo, como ele mesmo frisa. Tratam de uma critica incisiva ao sistema de exploração, ao modo de fazer política e de viver nas grandes cidades.
"Não precisamos organizar o assim chamado caos. A disciplina e a liberdade não se opõem uma à outra. Nos tornamos livres pela prática que nos permite dominar a necessidade, e nos tornamos disciplinados pela nossa livre escolha de assegurar esse domínio. Ao nos tornamos amigos da "necessidade", vamos além do "dominar" uma situação e, assim, não sermos - como colocaria Camus - nem vítima nem algoz. Só uma pessoa brincado no campo do mundo."
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