Sumário por autor: Alice Monteiro - As trufas / Ana Claudia Calomeni - Lâmpada esquecida no quarto dos mortos / Carlos Antônio Aglio - Berbela / Eduardo Bittencourt - Elisa / Fernanda Cupolillo - Do outro lado do sol / Jason Carneiro - Trabalho / Joana Maria Guimarães - Angelus / José William Assunção Lóscio - Leonardiana / Juliana Santana - Redenção / Liliana Pelegrini - Infância / Luisa Benevides - Quando a estrela caiu / Priscila Caprice - As crianças do meu quintal / Regina Fernandes Costa - Vó Idalina, a que viu o sol / Tamara Sender - Carta a alguém que não sei quem numa língua não sei qual ***** Orelha: Definir o que é conto nunca foi tarefa das mais fáceis. Leve-se em conta a frase emblemática de Mario de Andrade, na crônica datada de 13 de setembro de 1938, intitulada "Contos e contistas", onde comenta: "Em verdade, sempre será conto aquilo que seu autor batizou com o nome de conto". O escritor paulista quer entender que esse gênero literário, um dos mais difíceis, por sinal, não se reduz a receitas. Elege como seus contistas de cabeceira Boccaccio, Hoffmann, Flaubert, Maupassant, Machado de Assis, Kipling. Em cada um desses artistas da prosa, o autor dos Contos novos encontra as diversas formas pelas quais se expressa o conto: o fantástico, o filosófico, o ensaístico, o sobrenatural etc. Como contista, surgiu-me a idéia de reunir artistas que partilhassem um gosto em comum, o desejo de contar histórias. Esta vontade, que vem desde o homem pré-histórico, manifestada na arte rupestre e chegando hoje, no século XXI, à cultura dos blogs, possibilitou o encontro dos quatorze autores desta antologia, fruto de um trabalho de três anos. Aulas tanto presenciais quanto à distância, em que se analisaram contos de autores de distintas épocas, algumas teorias; exercícios, tentativas, correções, discussões e, afinal, o resultado do esforço, este O outro lado do sol. Acredito, acima de tudo, que a prática do contar, ocorrida nesse período, se casou a uma prática do viver. O que é conto? - se pergunta Mario de Andrade. O que é vida? - me pergunto. Na esquina dessas duas questões, fico com a lúcida resposta de Julio Cortázar: o conto "se move nesse plano do homem onde a vida e a expressão escrita dessa vida travam uma batalha fraternal". Leonardo Vieira de Almeida
