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    Deus: uma invenção? -

    René Girard

    É Realizações
    2011
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788580330496
    Português Brasileiro
    4.2
    15 avaliações
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    Deus seria uma invenção dos homens? Ele seria uma criação de sua angústia, de sua culpa, de sua sede de imortalidade? Ou, simplesmente, do seu desejo de encontrar a paz, o amor e o perdão? Pode-se provar que Deus não é uma invenção? Pode-se provar que ele, de fato, existe? Este livrocoloca à disposição do leitor um diálogo surpreendente. Os três ensaios aqui coligidos colocam em debate o pastor Houziaux, o teólogo protestante André Gounelle e o pensador René Girard acerca da questão: “Deus: Uma Invenção?” Deus seria uma invenção dos homens? O pastor Alain Houziaux expõe os argumentos de Santo Anselmo, Descartes e Santo Tomás de Aquino, que tendem a demonstrar que Deus não é uma invenção. O professor René Girard, antropólogo, vê nos deuses uma personalização do sagrado. Os deuses, ele explica, são identificados por um processo social e religioso encontrado em todas as culturas. Eles bloqueiam o processo de autodestruição das sociedades. De fato, todo homem é motivado pelo desejo do que o outro deseja (fenômeno da rivalidade mimética), o que o conduz à vingança. A autodestruição das sociedades seria inevitável se os homens não se reconciliassem para linchar, através de um assassinato coletivo, um bode expiatório. E é este mesmo bode expiatório, considerado ao mesmo tempo muito ruim (a ponto de ser linchado) e muito bom (visto que reconcilia a comunidade), que é divinizado. A especificidade e a verdade do cristianismo residem no fato de ter reconhecido que, ao contrário do que supõem os mitos arcaicos, a vítima do linchamento – Jesus Cristo – era inocente. E foi esta vítima, a pedra desprezada pelos construtores, que se tornou a pedra angular e o Deus da nova religião (Atos 4,11). Dessa forma, Cristo é Deus, pois, conhecendo intimamente o funcionamento da mente humana, ele próprio aceita sofrer o linchamento para revelar aos homens o que são e para extirpar a violência deste mundo. O professor André Gounelle, teólogo protestante, afasta, em primeiro lugar, a ideia de que Deus teria sido inventado pelo clero, que queria se aproveitar da credulidade dos homens. Também reconhece que, por razões socioeconômicas e psicológicas, projetamos numa abstração (a Causa primeira do funcionamento do Universo, por exemplo) a ideia de um Deus pessoal, que tem uma relação de amor com os homens. Ele ainda diz que não há finitude relacionada a Deus. Sem dúvida, nós nos apropriamos dele, caracterizando-o e dando-lhe uma personalidade, porém, como uma ilha misteriosa que sempre permanece uma terra incognita, Deus fica infinitamente desconhecido. Ele se impõe, mas como um abismo de mistério. A religião é uma maneira de inventar meios para conduzir tal Mistério até nós, um pouco como criamos canalizações para direcionar a água das fontes até as nossas casas; entretanto, não se deve confundir a água viva de Deus com as canalizações dos rituais e doutrinas religiosas inventadas pelas Igrejas. Os três colaboradores discutem, em seguida, a utilidade da religião, a ideia de Deus e também a origem das crenças religiosas Deus: Uma Invenção? coloca à disposição do leitor um diálogo surpreendente. A melhor forma de esclarecer sua singularidade consiste em contextualizá-lo. Os três ensaios, assim como os debates aqui coligidos, tiveram origem num encontro organizado pelo pastor Alain Houziaux, em novembro de 2005. De igual modo, este livro foi publicado na coleção “Questions de Vie”, que, como o título sugere, pretende abordar temas atuais para um público não especializado. No âmbito desse programa, o pastor Houziaux convidou o teólogo protestante André Gounelle e o pensador (católico) René Girard. Afinal, a coleção “Questions de Vie” ambiciona propor questionamentos cuja relevância tenha caráter ecumênico, atraindo mesmo aqueles que não são religiosos. Sobre o título “Deus: Uma Invenção?” é interessante recordar George Steiner, autor de The Grammars of Creation,em que o crítico literário recupera uma distinção fundamental para a pergunta que estrutura este livro. Ao mesmo tempo, tal resgate esclarece a potência do pensamento girardiano. De acordo com Steiner, criar, do latim creare, implica o gesto de produzir o novo no próprio instante da criação, trata-se da utópica creatio ex nihilo. Inventar, pelo contrário, do latim invenire, envolve um ato mais modesto, pois significa encontrar, descobrir, e, muitas vezes, fazê-lo acidentalmente. Portanto, inventar supõe a existência de elementos prévios, que devem então ser rearranjados em novas disposições. Ora, em alguma medida, é como se a pergunta-título – Deus é uma invenção? – fosse uma pergunta-armadilha, pois, uma vez que se estabelece a moldura do verbo invenire, a resposta não pode senão confirmar o juízo que já se encontrava implícito no questionamento.

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    Carlos Eduardo Bernardo11/01/2016Resenhou um livro
    0

    Deus: uma invenção? - Quando é preciso se posicionar!

    Este é o título do livro que reúne o pensador René Girard; Alain Houziaux; pastor reformado, e, André Gounelle, teólogo protestante, em busca da resposta a esta difícil pergunta. Para tanto, o texto se distribui em três ensaios individuais e um debate entre os autores. O Livro é excelente e instigante, conta com uma substancial apresentação de João Cezar de Castro Rocha, professor de Literatura Comparada na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), além doutros subsídios de leitura. A leitura nos leva a compreender, de modo claro, aquilo que Francis Schaeffer (1912-1984) escreveu sobre o esvaziamento da linguagem teológica cristã. “Ele disse que os teólogos modernos – liberais –, ao usar certas palavras religiosas, tais como: “graça”; ressurreição” e “Cristo” provocam a ilusão de comunicação. Em verdade o vocabulário religioso pode assumir para os liberais, significados muito diferentes e até contrários aos que têm na teologia ortodoxa. A forma como esse fenômeno pode ser constatado nos ensaios dos religiosos – o pastor e o teólogo –, bem como, em suas posições durante o debate, é tão evidente e chocante, que Girard, o filósofo, pode lhes dirigir uma dura reprimenda, ele lhes disse que faziam concessões demais para o gosto contemporâneo, e, que poderia qualificá-las como “religiosamente correta”.

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    René Girard

    René Girard é conhecido por suas teorias que consideram o mimetismo a origem da violência humana que desestrutura e reestrutura as sociedades, fundando o sentimento religioso arcaico. Girard se auto-define como um antropólogo da violência e do simbolismo religioso. Alguns o consideram o "Darwin das ciências humanas". Por meio de seus trabalhos de antropologia, ele teorizou o que é considerado uma de suas grandes descobertas: o mecanismo da vítima expiatória, segundo ele um mecanismo fundador de qualquer comunidade humana e de qualquer ordem cultural: quando o objeto de desejo é apropriável, a convergência dos desejos conflitantes em sua direção engendra a rivalidade mimética que é a fonte da violência. No grupo primitivo, esta violência, por paroxismo, se focaliza numa vítima arbitrária cuja eliminação reconcilia o grupo. Esta vítima é, para Girard, sagrada e constitui a gênese do sentimento religioso primitivo, do sacrifício ritual como repetição do evento originário, do mito e dos interditos. A obra de Girard desafia manifestamente a de Sigmund Freud no campo do desejo, bem como a de Claude Lévi-Strauss no que se refere à interpretação dos mitos e a de Karl Marx quanto ao determinismo econômico.

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    Avignon, França

    René Girard