Ódio ao Ocidente -

    Jean Ziegler

    Cortez Editora
    2011
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788524918070
    Português Brasileiro

    Sinopse: Chega ao Brasil pela Cortez Editora, o livro Ódio ao Ocidente (que, publicado em 2008, recebeu o Prix Littéraire des Droits de l´Homme) de Jean Ziegler, um dos sociólogos de maior prestígio na Europa. A obra demonstra que a cidadania do mundo é o espaço que a cultura e a militância humanista de Jean Ziegler iluminam. Em páginas que conjugam lucidez analítica e indignação apaixonada, o leitor verá contrastada a cretinice de Sarkozy e o discurso dúplice dos grandes com a realidade indesmentível da exploração e da opressão dos pobres do mundo. Relator de Direitos Humanos da ONU por vários anos, Jean Ziegler faz neste livro uma dura crítica ao sistema capitalista dominado pela Europa e pelos Estados Unidos, que parecem permanecer surdos, cegos e mudos diante das manifestações de revolta que emanam dos povos do hemisfério sul. Ao mostrar com detalhes impressionantes como a atual ordem econômica mundial, imposta pelas oligarquias do capital financeiro ocidental é o produto de sistemas de opressão anteriores, incluindo o tráfico de escravos e a exploração colonial, Ziegler indaga, entre tantas coisas, como responsabilizar o Ocidente e obrigá-lo a respeitar os próprios valores que proclama. “Na diacronia e na sincronia, Ziegler mostra as razões do ódio ao Ocidente capitalista e os vários obstáculos ao necessário diálogo entre aqueles que desejam um mundo menos bárbaro. Se nós, os do ‘sul’, já tínhamos uma enorme dívida para com este homem do ‘norte’, constatamos que, com Ódio ao Ocidente, nosso débito cresce exponencialmente: ele sabe ouvir e compreender, dos lábios de uma mestiça de La Paz, a definição do que hoje faz um líder popular e nacional: um homem que enfrenta o imperialismo” como descreve o professor da Escola de Serviço Social da UFRJ, José Paulo Netto, sobre o autor.

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    Antônio Carlos Tórtoro15/10/2012Resenhou um livro
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    SEKUNJALO ?

    “Raramente, na História, os povos do Ocidente testemunharam tanta cegueira, tanta indiferença, tanto cinismo como hoje. Sua ignorância em relação às diversas realidades é impressionante. E assim se alimenta o ódio”. Jean Ziegler Antes de iniciar a leitura do livro Ódio ao Ocidente, de Jean Ziegler — que nasceu na Suíça, em 1934, frequentou as universidades de Berna e Genebra, fez-se duplamente doutor (Direito e Sociologia), exerceu a docência em seu país e na França (Genebra, Sorbonne e Grenoble) e articulou o seu profícuo trabalho intelectual (expresso também em mais de 20 livros, traduzidos em vários idiomas) — tome um, ou dois comprimidos de Plasil para suportar a náusea que qualquer pessoa sensível sentirá ao percorrer as 270 páginas que mostram “ com detalhes impressionantes como a atual ordem econômica mundial, imposta pelas oligarquias do capital financeiro ocidental, é o produto de sistemas de opressão anteriores, incluindo o tráfico de escravos e a exploração colonial, e sobre a qual Ziegler indaga, entre tantas coisas, como responsabilizar o Ocidente e obrigá-lo a respeitar os próprios valores que proclama”. Seguem algumas afirmativas de um cidadão do mundo que, entre 2000 e 2008, foi consultor da ONU e corajosamente escreveu Direito à alimentação e, depois, foi eleito para o Conselho de Direitos Humanos da instituição ( um espinho na garganta das grandes potências, das transnacionais e de agências como o FMI e o Banco Mundial): “ A cada cinco segundos, uma criança com menos de dez anos de idade morre de fome “ ; “Na África Subsaariana, cerca de quinhentas mil mulheres morreram no parto em 2007” ; “...a OMS calcula que cerca de 70% dos medicamentos vendidos na África Ocidental são falsificações sem garantias alguma de segurança ou de qualidade” ; “ É que as políticas desastrosas que conduzem ao subdesenvolvimento crescente dos países mais pobres, como as praticadas pelas potências ocidentais e retransmitidas pelos seus mercenários da OMC e do FMI, ainda persistem” ; “...nunca a distância entre as declarações e as práticas reais alimentou tanto ódio” ; “Quanto mais rico você for, mais acima da lei você se encontra ( KenSaro Wiwa – o Martin Luther King do delta do rio Níger) “ ; “ A população total de astecas, incas e maias era de 70 a 90 milhões de pessoas quando os conquistadores chegaram. Entretanto, um século e meio depois, restavam apenas 3,5 milhões “ ; “Mas é preciso que se saiba que os filhos e filhas, netos e netas dos agentes das SS, da Gestapo, dos ustashes, dos Guardas de Ferro romenos, são donos dessas suntuosas fazendas, criações de gado, frotas de barcos do rio Paraguai, indústrias químicas” ; “Evo Morales é o inimigo a ser batido, na opinião dos ustashes. Ele os priva de seus privilégios, ameaça suas fortunas e lhes impõe o respeito das liberdades democráticas” ; “Até em Santa Cruz (Bolívia) , os ustashes e outros nazistas dominam três organizações-chave: a Câmara de Comércio e de Indústria, o Comitê Cívico e a União dos Jovens de Santa Cruz “ ; “...o FMI impõe, de tempos em tempos, aos mais pobres, programas chamados “de ajustamento estrutural”. Na prática, todos esses planos privilegiam a agricultura de exportação, em detrimento das culturas de subsistência” ; “Desse ponto de vista, o FMI é o guardião impiedoso dos interesses dos bancos credores e das grandes corporações multinacionais do Ocidente”; “...para encher um tanque de um automóvel médio que funciona com bioetanol, é preciso queimar 358 quilos de milho e que, com 358 quilos de milho, uma criança no México ou na Zâmbia (onde o milho é o alimento de base) vive um ano inteiro” . Em Ódio ao Ocidente, Ziegler fala sobre escravidão (inclusive a atual) de crianças, massacres e exploração coloniais (ainda ocorrem), a cretinice de Sarkozy, realidade da China e índia, a máfia de Abuja, Biafra, farsas eleitorais, corrupção, sangue, lixo, hipocrisia, e conclui ; “Se, ao longo dessas páginas, insistimos tanto sobre a necessárIa reconstrução da memória, é porque, nas suas culturas nativas, nas suas identidades coletivas, nas suas tradições é que os povos do Sul lançarão mão da coragem de ser livres”. E fica a pergunta : quando isso acontecerá ? Como fazia Nelson Mandela , na campanha eleitoral, em seus discursos durante as primeiras eleições livres de toda a história da África do Sul, concluímos: Sekunjalo! — termo xosa que significa “Agora” . ANTONIO CARLOS TÓRTORO www.tortoro.com.br acartor@yahoo.com

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