Rose Satiko buscou, com este trabalho, percorrer os significados do fazer musical entre crianças e jovens participantes de um projeto governamental de ensino de música destinado à população de baixa renda de São Paulo. Nele, discute as diversas facetas do fazer musical observado (e sentido), como seus aspectos pedagógicos, políticos e performáticos, e procura descrever as relações dessa prática social com a construção das noções de corporalidade, temporalidade e alteridade entre seus sujeitos. A opção pela observação de um único projeto não implica uma abordagem institucional: a autora enfatiza que o foco do trabalho não é o Projeto Guri, escolhido para as observações, mas a prática musical, pensada como atividade simbólica de forma ampla, com contornos específicos, dadas a faixa etária e a situação social de seus atores.