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    Canto da noite -

    Augusto Frederico Schmidt

    Nova Fronteira
    1986
    83 páginas
    2h 46m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    2.8
    4 avaliações
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    Favoritos1Desejados1Avaliaram4

    Na fase da maturidade, Schmidt impõe em sua poesia a presença da morte, da solidão, da tristeza e da estranheza de estar no mundo, predominantes em "Canto da Noite", de 1934.

    Resenhas (1)Ver mais
    Eduardo picture
    Eduardo06/01/2010Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Lá pelo meio do ano de 2008, um dos livros que folheei foi "Canto da Noite", do poeta carioca Augusto Frederico Schimidt, que foi publicado em 1934. Augusto nasceu em 1906. Além de escritor, foi industrial, político, jornalista e editor (é atribuído a ele o lançamento de Graciliano Ramos com seu "Caétes"). Quanto à política, trabalhou para Juscelino Kubitschek. Foi assessor, e era considerado o braço-direito de JK. Entre outras funções, escrevia os discursos do presidente. Foi ele, também, o criador do bordão clássico do programa de governo de JK : "50 anos em 5" Para os curiosos, há uma biografia romanceada de Schmidt: "Quem contará as pequenas histórias?", escrita por Letícia Mey e Euda Alvim. Canto da noite é um livro muito fraco. Foi o único livro dele que encontrei na biblioteca da faculdade. Terei que ir à procura de outros. Até vou arriscar a dizer que este é o pior livro desse poeta. Seu primeiro livro, de 1929, "Canto do Brasileiro Augusto Frederico Shimidt", parece melhor. Voltando aos textos de Canto da Noite, é inegável que seus poemas são muito fracos. O próprio Augusto, já prevendo isso, faz questão de dizer no prefácio da 3ª edição: "Sei o pouco que vale essa coleção de poemas, que só mesmo por fraqueza consinto em reviver para colecionadores de livros de tiragem restrita; sei que este é um livro humilde, que nada tem a ver com ampla e forte poesia que amam hoje (...)" São poemas escritos com voz baixa, discreta. O ritmo é lento, por vezes arrastado. O ritmo lento acompanha os temas de Schmidt: sempre num tom melancólico e soturno, versa sobre morte, partida e desencanto. Canto da noite está repleto de imagens fracas. Como o título sugere, muitos poemas fazem referência à noite, e são nesses momentos que fica mais nítida a pobreza de estilo do livro. Mas o livro contém, ainda que poucos, alguns poemas interessantes, em que a melancolia de Schmidt consegue prender o leitor. Como esses dois poemas abaixo "Desejo" e "Despedida" MOMENTO Desejo de não ser nem herói e nem poeta Desejo de não ser senão feliz e calmo. Desejo das volúpias castas e sem sombra Dos fins de jantar nas casas burguesas. Desejo manso das moringas de água fresca Das flores eternas nos vasos verdes. Desejo dos filhos crescendo vivos e surpreendentes Desejo de vestidos de linho azul da esposa amada. Oh! não as tentaculares investidas para o alto E o tédio das cidades sacrificadas. Desejo de integração no cotidiano. Desejo de passar em silêncio, sem brilho E desaparecer em Deus – com pouco sofrimento E com a ternura dos que a vida não maltratou. DESPEDIDA Os que seguem os trens onde viajam moças muito doentes com os [ olhos chorando Os que se lembram da terra perdida, acordados pelos apitos dos [ navios Os que encontram a infância distante numa criança que brinca Estes entenderão o desespero da minha despedida. Porque este amor que vai viajar para a última estação da [ memória Foi a infância distante, foi a pátria perdida, e a moça que não [ volta. E, para fazer justiça, posto um dos meus poemas preferidos, que por sinal, é de autoria de Schmidt. Este poema está no livro "Navio Perdido", de 1929. Possui as características típicas dos textos de Schmidt e, assim como em "Despedida" e "Momento", a voz baixa e fria do poeta cai muito bem nessa imagem de contemplação e reflexão. Aí vai: LEMBRANÇA Todos os que estão neste cinema agora, Neste cinema alegre, Um dia hão de morrer também: Nos cabides as roupas dos mortos penderão tristemente. Os olhos de todos os que assistem as fitas agora, Se fecharão um dia trágica e dolorosamente. E todos os homens medíocres se elevarão no mistério doloroso da morte. Todos um dia partirão — mesmo os que têm mais apego às coisas do mundo: Os abastados e risonhos Os estáveis na vida Os namorados felizes As crianças que procuram compreender — Todos hão de derramar a última lágrima. No entanto parece que os freqüentadores deste cinema Estão perfeitamente deslembrados de que terão de morrer — Porque em toda a sala escura há um grande ritmo de esquecimento e equilíbrio. Augusto Frederico não está entre os nossos maiores poetas. Mas não deve ser esquecido. Deixou uma bela obra.

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    Augusto Frederico Schmidt profile picture

    Augusto Frederico Schmidt

    Augusto Frederico Schmidt (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1906 – Idem, 1965). Poeta, editor, jornalista, empresário. Sua obra poética, pautada pela conjunção de elementos modernos e clássicos, destaca-se na segunda geração modernista. Como editor, publica nomes importantes da literatura e do pensamento social brasileiro. Participa de movimentos políticos, como empresário e escritor. Descendente de comerciantes do Rio de Janeiro, viaja com a família em 1913 para a Suíça, onde aprende francês. Devido à morte do pai, retorna ao Brasil. Estuda em diversas instituições do Rio de Janeiro, desenvolvendo especial interesse pela literatura moderna. Em 1924, assiste, na Academia Brasileira de Letras, à conferência O Espírito Moderno, de Graça Aranha (1868-1931), cujo teor antiacadêmico influencia a formação de Schmidt. Apesar do empenho escolar, é reprovado no exame do Colégio Dom Pedro II e encerra os estudos. Em 1924, muda-se para São Paulo. Trabalha como comerciante no ramo de cachaça e madeira. Frequenta livrarias e tipografias do centro da cidade, aproximando-se dos artistas do modernismo, em especial Mário de Andrade (1893-1945) e Plínio Salgado (1895-1975). Em 1928, retorna ao Rio de Janeiro e trabalha na Serralheria Cocozza, em Nova Iguaçu. No mesmo ano, torna-se sócio de Jackson de Figueiredo (1891-1928), proprietário da Livraria Católica e fundador da Liga Católica, e inicia correspondência com o jornalista Tristão de Ataíde (1893-1983). No decorrer das cartas, Augusto Schmidt reforça sua crença na fé cristã, exprime impressões sobre a modernidade e a literatura. Caracteriza sua poesia como instintiva e dirigida por fluxos de consciência. Tal personalismo aproxima sua escrita poética de um diário. Publica Canto do brasileiro Augusto Frederico Schmidt (1928), livro de poesias considerado obra inaugural da segunda geração modernista. Ao tratar da morte e de crises existenciais, investe em uma produção intimista e se afasta dos temas modernistas da década de 1920, pautada pela busca da essência cultural brasileira. O professor João Ribeiro (1860-1934) elogia o livro em artigo no Jornal do Brasil. Mário de Andrade, porém, critica o autor pela falta de organização textual. Em contrapartida, Schmidt redige uma crítica ao livro Macunaíma (1928), mas é dissuadido de publicá-la por seu amigo, o poeta Manuel Bandeira (1886-1968). As principais marcas estéticas do autor aparecem em Canto do brasileiro e percorrem toda sua obra: como os católicos de sua geração, Schmidt aborda dilemas existenciais em tom contemplativo e idílico. Os temas centrais são a morte, o abandono, a memória e o patriotismo. Emprega versos livres, com recurso à oralidade, valendo-se de figuras linguísticas como o polissíndeto, a sinonímia e aliterações. A estrutura textual contém sintaxe simples, paralelismos, repetições e ausência de rimas. O ritmo prosaico e monótono dos versos remonta ao gênero proverbial, recorrente nos textos bíblicos. Sua escrita é foco de debate, considerada retrógrada e semelhante aos preceitos românticos do século XIX. Do modernismo, mantém o apelo à inovação linguística e o antiacademicismo pregado por Graça Aranha. Em 1929, é fundada a Editora Schmidt, que alcança proeminência em 1933 com a publicação de obras da literatura e do pensamento político: Casa grande e senzala, de Gilberto Freyre (1900-1987); Caetés, de Graciliano Ramos (1892-1953); O caminho para a distância, de Vinicius de Moraes (1913-1980); e O que é o integralismo?, de Plínio Salgado (1895-1975). Em 1939, Schmidt encerra a editora e migra para o ramo industrial, sem contudo abandonar a literatura. Além da poesia, investe na carreira de conferencista, proferindo discursos sobre arte e negócios. Escreve sobre política em colunas semanais do jornal O Globo. Em 1953, participa da reinauguração do túmulo do escritor mineiro Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), em Mariana, aproximando-se do governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek (1902-1976). Durante a presidência de Kubitschek (1956-1961), auxilia na escrita do discurso inaugural de Brasília, colabora com a Operação Pan-Americana1 e é nomeado embaixador brasileiro no Mercado Comum Europeu. Babilônia (1959) é o livro mais distinto no conjunto da obra do poeta. Os sonetos presentes nesse volume seguem o rigor classicista, na forma e nas rimas, afastando-se dos preceitos modernistas. A aspiração poética parte mais da idealização do mundo exterior do que dos dilemas existenciais internos, definindo uma estética menos personalista. O autor recua no emprego de elementos estilísticos particulares, como os paralelismos. O tema central do livro provém da imagética bíblica da cidade babilônica. Schmidt associa expressão literária e combate político. Em 1961, filia-se ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), organização empresarial de defesa da liberdade de comunicação. Em 1962, participa do Grupo de Publicações Editorial (GPE), entidade dirigida pelo general Golbery de Couto e Silva (1911-1987) responsável pela promoção de conteúdo editorial anticomunista. Schmidt redige artigos jornalísticos contra o presidente João Goulart (1918-1976) e em apoio aos militares. No entanto, após a cassação de Kubitschek, expressa arrependimento pelo respaldo ao novo regime. A um só tempo conservador e moderno, Augusto Frederico Schmidt é poeta singular no panorama literário brasileiro. Como expoente do modernismo, atua de forma crítica e combativa, combinando as aptidões de comunicador e empresário. Nota 1. Operação Pan-Americana (OPA) – projeto econômico idealizado pelo governo Juscelino Kubitschek, visando o progresso continental por meio da liberalização do comércio e de melhores condições de financiamento à produção industrial latino-americana. Augusto Frederico Schmidt é porta-voz do projeto em Washington, em nome do governo brasileiro.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Augusto Frederico Schmidt