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    A Rota Antiga dos Homens Perversos (Estudos Antropológicos) -

    René Girard

    Paulus
    2009
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-10: 8534931399
    Português Brasileiro
    4.5
    19 avaliações
    Leram31Lendo11Querem62Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos7Desejados62Avaliaram19

    A Bíblia narra a curiosa história de Jó, que perdeu tudo, é rejeitado pelos seus, abandonado por Deus, e se lamenta por sua desgraça. Ela apresenta também os diálogos entre Jó e aqueles que se dizem seus amigos. A tradição concede pouca atenção a esses diálogos, não obstante revelam a verdadeira dimensão social de Jó: o bode expiatório de sua comunidade. Como Édipo, ele deve seguir "a rota antiga dos homens perversos", que conduz à morte sacrificial. Recusando-se a entrar no jogo de seus algozes, Jó desvela o funcionamento vitimário dos perversos primitivos. Mas as discussões que se estabelecem entre Jó e seus amigos lembram particularmente as caricaturas de processos aos quais se entregam, à nossa vista, os regimes totalitários: mesmas acusações de perversão, mesma necessidade de confissões da vítima, mesmo desprezo pela verdade. Nesse sentido, o antigo livro de Jó permite a René Girard analisar com clareza e precisão o fenômeno totalitário que tenta ressuscitar um religioso violento e primitivo. Tentativa essa tanto mais assustadora do que mentirosa, já que todos sabemos, há dois mil anos, que as vítimas são inocentes.

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    Carolina Campos Rangel12/02/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Para entender a mentalidade e a cultura dos homens antigos

    O impacto que este livro causa é surpreendente. Depois de fazer uma leitura frustrante do livro de Jó (da qual saí com a sensação de que nada fazia sentido), parti para esta obra do Girard, que desde as primeiras páginas já foi esclarecendo questões problemáticas que haviam me deixado muito confusa. Dentre os diversos pontos abordados, apontarei os seguintes: 1. O sentido do livro de Jó encontra-se nos DIÁLOGOS, que devem ser interpretados separadamente. O conteúdo do Prólogo e do Epílogo termina por dificultar (impossibilitar mesmo) a interpretação. 2. Os Diálogos mostram DOIS pontos de vista: o dos perseguidores (chamados "amigos") e o da vítima (Jó). O autor indica que dar voz à vítima, nesse tipo de obra, é algo sem precedentes. 3. Girard explica todo o contexto no qual Jó está inserido, comparando a situação dele a de outros personagens da literatura antiga, que tal como Jó, também são vitimados pelo mecanismo do bode expiatório. O desenvolvimento do raciocínio do autor vai dissecando a mentalidade desses homens antigos e a cultura da qual Jó faz parte, dando cada vez mais sentido ao livro bíblico. 4. As falas de Jó demonstram um momento de mudança da compreensão de Deus, que se transfere do entendimento de um deus que permanece ao lado dos perseguidores (ao perseguir e punir), para um Deus das vítimas (que as defende e toma seu lugar) - Jesus. A partir da perspectiva do Girard, eu pude finalmente enxergar a beleza incomensurável desse livro.

    11 curtidas

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    4.5 / 19
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    René Girard

    René Girard é conhecido por suas teorias que consideram o mimetismo a origem da violência humana que desestrutura e reestrutura as sociedades, fundando o sentimento religioso arcaico. Girard se auto-define como um antropólogo da violência e do simbolismo religioso. Alguns o consideram o "Darwin das ciências humanas". Por meio de seus trabalhos de antropologia, ele teorizou o que é considerado uma de suas grandes descobertas: o mecanismo da vítima expiatória, segundo ele um mecanismo fundador de qualquer comunidade humana e de qualquer ordem cultural: quando o objeto de desejo é apropriável, a convergência dos desejos conflitantes em sua direção engendra a rivalidade mimética que é a fonte da violência. No grupo primitivo, esta violência, por paroxismo, se focaliza numa vítima arbitrária cuja eliminação reconcilia o grupo. Esta vítima é, para Girard, sagrada e constitui a gênese do sentimento religioso primitivo, do sacrifício ritual como repetição do evento originário, do mito e dos interditos. A obra de Girard desafia manifestamente a de Sigmund Freud no campo do desejo, bem como a de Claude Lévi-Strauss no que se refere à interpretação dos mitos e a de Karl Marx quanto ao determinismo econômico.

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    Avignon, França

    René Girard