Este precioso livro de Angelina condensa, de forma serena, a transformação ocorrida na clínica da psicose, ou melhor, mostra como Lacan, ainda preso à fenomenologia, ruma das relações de compreensão presentes em sua tese de doutoramento de 1932, em direção às relações simbólicas, nas quais, valendo-se dos ensinamentos de Ferdinand de Sausurre, encontra os meios para reformular a distinção entre significante e significado, e daí se dirige para o que se conhece como a sua segunda clínica, fundada na inexistência do Outro, no caráter não deficitário da psicose, na articulação do sinthome e na introdução do escrito na fala do sujeito.