O Banco Medici - Poder,dinheiro e arte na Florença do século XV

    Tim Parks

    Record
    2008
    277 páginas
    9h 14m
    ISBN-13: 9788501077974
    Português Brasileiro

    O discreto Giovanni di Bicci de’ Medici nasceu numa família modesta em Florença, muito cedo ficou órfão de pai e com uma pequena herança, compartilhada com cinco irmãos, fundou a poderosa e famosa dinastia Medici – família de banqueiros que viveu o seu apogeu e queda durante o século XV, na cidade italiana banhada pelo rio Arno. Pouco afeito à política, Giovanni passava os dias ensimesmado, conferindo os seus livros-caixa e preocupado com lucros e mais lucros – chegou a ter mais de 20 bancos espalhados pela Europa. Giovanni Medici já possuía uma respeitável fortuna em 1410 e era uma personalidade influente. Foi nesse momento de sua vida, raro momento de desvio de atenção de seus negócios, que ele se voltou ao cenário internacional. O motivo era importante e havia rentáveis favores a colher: o mundo vivia a expectativa do retorno do papado à Roma, depois do Grande Cisma, ocorrido na Igreja Católica, e Medici apostou que o novo papa seria um italiano, o que de fato se consumou. Em troca de seu apoio, as instituições religiosas de Roma e outras autoridades da Igreja passaram a fazer vista grossa para a usura (assim era chamado o empréstimo feito mediante cobrança de juros) e também passaram a utilizar os seus bancos. Uma troca de interesses perfeitamente bem casados. Religião, investimentos e arte estiveram assim intimamente interligados ao longo do século no qual perdurou o império bancário dos Medicis. A linhagem de banqueiros, em pouco tempo tornou- se uma dinastia real. Cosimo, o filho de Giovanni, assumiu o comando das operações após a aposentadoria do pai e seguiram-se anos gloriosos. O sucessor ficou conhecido na Itália como o Pater patriae, o pai de sua pátria, pela sua influência política e artística em Florença. Cosimo era amigo de filósofos, pintores e arquitetos e se fazia rodear de mulheres. Sempre há risco quando se combina muitos negócios com muito prazer, mas o seu temperamento hedonista não o distraiu do objetivo principal de sua vida: ganhar mais dinheiro. Cosimo foi um dos mais importantes artífices da expansão e do enriquecimento do banco e da família nessa segunda fase de seu império financeiro. O papel de mecenas cultural da família Medici fez de Florença o berço do Renascimento italiano, com artistas geniais como Leonardo da Vinci, Michelangelo Buonarroti, Dante Alighieri, Filippo Brunelleschi e Nicolau Maquiavel. O gosto pelas artes seria ainda mais valorizado pelo neto de Cosimo, Lorenzo, poeta e dono de um particular senso estético e cultural – ele foi um dos principais operadores de uma complexa rede de atividades culturais promovidas pelo banco. Para agradar à Igreja, Lorenzo financiou a restauração do mosteiro de São Marcos. Em troca, recebeu uma bula papal que o absolveu de seus pecados. Também pagou por San Lorenzo, a igreja da família Medici, e construiu o maior palácio particular da cidade. A essa altura, porém, as sucessivas guerras que assolavam a Europa e o crescimento do movimento contra a nobreza prejudicavam os negócios dos Medicis, identificados com esses interesses. “O florescimento do humanismo e a proliferação dos bancos estiveram associados ao declínio da teocracia e do mundo medieval”, escreve Tim Parks. E assim, numa histórica ironia, o império financeiro da dinastia Medici, que financiou o Renascimento, faliu no momento em que esse movimento cultural vivia o seu auge.

    Resenhas (2)Ver mais
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    Fernanda Reche dos Santos13/08/2016Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Faltou a arte

    Historicamente interessante, mas por fim me decepcionei, tanto pelos erros no texto (senti um descuido mais para o final) como por abordar muito superficialmente a questão da arte em Florença. De qualquer forma, a história do dinheiro, do banco e até a dos papas da época é muito bem contada. A arte, no entanto, foi o maior legado da família Medici, e é apenas citada, sem muito detalhamento. Esperava mais.

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