Eram crianças, adultos, velhos, de todas as classes sociais. No engenho Sibiró, em Pernambuco, chegou a viver uma rainha de Cambida. Escravos africanos viajavam acorrentados em porões escuros e mal ventilados de navios tumbeiros europeus. No Brasil, depois da quarentena, eram trocados por açúcar, aguardente e tabaco de terceira categoria. Escravos homens destinavam-se ao trabalho duro. Mulheres, especialmente as mais bonitas e mais limpas, iam para as casas-grandes dos engenhos. Nas cozinhas das senzalas, essas mucamas passaram a substituir ingredientes de suas receitas originais pelo pouco que lhes davam. Mas sempre reproduzindo seus hábitos alimentares - inhame, frutas(sobretudo banana), muito arroz, cuzcuz, caça e pesca. Tudo com muita pimenta. Por mãos das senhoras dos engenhos, conheceram sal e açúcar. Também aprenderam a cozinhar numa mesma panela carnes e verduras. E a técnica da fritura. A partir daí foram criados pratos novos-caruru, moqueca, quibebe, vatapá. Do caldo de cana faziam garapa e cachaça.Comer para o escravo, era momento de festa em emio a tanta dor. Com pratos, na mesa, se misturando a cantos, danças e lembranças das terras distantes, batuques, zoadas, crenças, chocalhos, lamentos e saudades.
O NEGRO AÇÚCAR -
Maria Letícia Monteiro Cavalcanti
CARPE DIEM
2008
88 páginas
2h 56m
ISBN-13: 9788537304792
Português Brasileiro
Estatísticas
Avaliações
0 / 0- 5 estrelas0%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%