Marat / Sade (Teatro Vivo) -

    Peter Weiss

    Abril
    1977
    98 páginas
    3h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    É uma obra aberta, de múltiplas leituras e interpretações. Pode ser vista como a história do assassinato do líder revolucionário por Corday, em meio à efervescência política da fase imediatamente posterior à Revolução Francesa, representada pelos loucos de Charenton, sob a direção de Sade e sob os auspícios do diretor da instituição. Mas, pode ser vista também como a vida social e política de um país (Charenton), onde se defrontam propostas diversas: liberal (Sade), conservadora (Coulmier), reacionária (Duperret), revolucionária (Marat), extremista (Roux) e imobilista (Corday). E onde tudo vai bem desde que não fira as vontades das forças dominantes (o imperador Napoleão), invocadas pelo “presidente” Coulmier para a manutenção da ordem interna, para o que conta sempre com enfermeiros e irmãs de caridade. Sob esse ponto de vista, as indicações de Weiss quanto aos intérpretes dos papéis são bastante esclarecedoras. Quem mais além de Sade poderia responsabilizar-se pela direção da peça com a confiança do senhor Coulmier? Quem melhor para representar Marat do que um paranóico, cuja enfermidade propicia tanto momentos de grande violência como de grande lucidez? Corday poderia ser outra senão uma sonâmbula catatônica, desligada de tudo o que realmente ocorre à sua volta? Duperret só poderia ser um erotômano, cuja repressão moral e sexual só tem como saída a loucura. Roux, por sua vez, só seria bem representado por um louco furioso, em camisa de força para evitar atos desatinados.

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    WAGNER QUIRICI picture
    WAGNER QUIRICI15/04/2011Resenhou um livro
    0

    Peça teatral: Marat/Sade

    A peça constitui-se de três esferas temporais: a primeira esfera é 1808, período em que o Marquês de Sade esteve internado no Hospicio de Charenton, por causa da forma de vida que levava e de suas ideias libertinas, que segundo alguns poderia corromper a alma de qualquer um. Nesse período em que esteve internado escreveu muitas peças teatrais e contos, entre eles estão: Les 120 journées de Sodome (1785), Justine ou les malheurs de la vertu (1791), La Philosophie dans le boudoir (1795), seu romance mais famoso, Pauline et Belval (1796) e Juliette ou les Prospérités du vice (1798). A segunda esfera temporal é o ano 1793, morte de uma grande e temível revolucionário jacobino, do partido de esquerda da Assembleia nacional, Marat, que estava em sua casa fazendo seus banhos medicinais, devido à uma dermatose que pegara enquanto esteve escondido nos esgotos de Paris, quando Charlote Corday, uma girondina do partido de direita da assembleia nacional, pela terceira tentativa consegue entrar em sua casa e o mata com uma punhalada desferida em seu peito. A terceira esfera temporal é a do leitor que lê ou assiste à peça, podendo ser tanto público da peça de Weiss como da peça de Sade. Valendo-se dessas três dimensões temporais, Weiss escreve a peça utilizando-se dos fatos de que dispunha no momento, encenar a morte do jacobino membro do partido de esquerda da assembleia nacional, Marat, pela girondina Corday, dentro do Hospicio de Charenton o qual esteve internado o Marquês de Sade, pela sua forma de agir e pensar, além disso, valer-se do fato de que nesse hospício costumava-se desenvolver avançados meios de terapias aos internos, como: terapia de grupo, a hidroterapia, psicodrama e a própria população assistia à essas peças. As personagens da primeira esfera temporal são: Sade, pacientes da instuição e diretor Coulmier com sua família, os da segunda esfera temporal são: Marat, Corday, Duperret, Jacques Roux, representante do militarismo, Voltaire, Lavoisier, pai e mãe e Marat e mestre escola, esses por sua vez são encenados pelos próprios pacientes da instuição, adquirindo propositalmente uma característica psicológica que é do próprio paciente. Por fim a terceira esfera temporal, surge a partir de expressões que ao longo da peça nos deixa indefiníveis, sobre à qual tempo se está falando, como: "hoje", "o nosso tempo". Ao longo da peça vai tornando-se notável a junção, mistura, entre todas as esferas temporais. http://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Weiss

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 47
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%