Há casos em que o critico e a obra visada partilham qualidades análogas, seja prelo compromisso com a linguagem eleita, seja pelo campo dos valores éticos perseguidos. Essa comunhão ocorre aqui, quando o discurso critico de Alexandre Shiguehara segue o curso de poemas narrativos de João Cabral. Sem pretensão imitativa, mas de fato atendendo a imperativos próprios, a linguagem do ensaio repercute os ganhos do que há de contido, lúcido e objetivo na poética cabralina, para compreender a dimensão histórica e dramática que há nesta.
