A Inocência dos Olhos. Como um cego poderia ver o mundo, se o dom da visão de repente voltasse - é assim que podemos descrever o efeito das pinturas de William Turner sobre o observador.
Turner -
Michael Bockemühl
Turner
“Turner” faz parte de uma coleção de livros sobre artes plásticas lançada no Brasil pela distribuidora Paisagem, e que visa explicar a obra do artista-tema de cada livro. Em se tratando de conteúdo, não tenho do que reclamar: o livro de Michael Bockemühl explica de maneira clara e fluída a obra do pintor, nos mostrando suas diversas fases, desde a época de exímio ilustrador na juventude até a da busca pela expressão através da cor, na idade adulta e na velhice. Várias das obras de Turner são “destrinchadas” pelo autor, para que compreendamos com maior clareza o processo de criação do artista em cada uma de suas fases. Os capítulos são um tanto longos, mas nada que chegue a comprometer a leitura. Mas o que podia ser uma ótima obra acabou por se tornar um livro de leitura maçante, e tudo graças a uma diagramação extremamente mal feita. Já tive acesso a outros dois livros desta coleção que, como “Turner”, tinham exatamente 96 páginas. Nestes dois livros o texto e as imagens casavam perfeitamente, e apesar de a fonte ser um tanto pequena para o meu gosto, ainda era suportável,mesmo cansando a vista. Já em “Turner” percebe-se claramente que, apesar de mantidas as 96 páginas, o volume de texto é muito maior. Resultado: A fonte foi diminuída para um tamanho minúsculo, e até mesmo muitas das ilustrações perderam espaço. A impressão que tive é que os editores resolveram manter as tais 96 páginas a qualquer custo, sem se preocupar com possíveis danos na qualidade da obra. E não apenas a fonte ficou pequena, mas também várias das ilustrações foram muito mal posicionadas no livro. Há ilustrações que são comentadas no início do livro impressas em páginas do final e vice-versa. Pior: muitas das ilustrações comentadas foram relegadas a ilustrações de canto de página, fazendo com que os detalhes comentados pelo autor do livro ficassem inacessíveis ao leitor – o que, em se tratando de Turner, é uma falta gravíssima, já que muitas de suas pinturas/ilustrações são extremamente detalhadas. Tudo isso resultou em um livro que, apesar de conter um tema interessante, faz com que o leitor passe por verdadeiros sacrifícios para conseguir lê-lo: espremer os olhos para conseguir enxergar a fonte, ficar indo e voltando toda hora para encontrar as ilustrações comentadas, sem falar da frustração de não conseguir enxergar os detalhes em algumas das pinturas analisadas... Resumindo: o texto é interessante? Muito. Mas se você não gosta de sofrer e tem a possibilidade de ler outro livro bem escrito sobre o tema, não tenha dúvidas: escolha o outro livro. A não ser, é claro, que ele consiga ser ainda mais mal diagramado que este aqui. O que eu acho difícil. MUITO difícil.
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