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    História do pé - e outras fantasias

    J.M.G Le Clézio

    Cosac Naify
    2012
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788540502116
    Português Brasileiro
    3.7
    28 avaliações
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    Favoritos2Desejados64Avaliaram28

    Primeira obra publicada por Le Clézio desde o Nobel em 2008, este livro reúne dez novelas perfeitas em sua concisão e eficácia: cada uma delas inventa um mundo completo - em Paris, no Senegal, na Libéria, em Serra Leoa... Para seu autor, falam essencialmente da força da fragilidade. São histórias de resistência, quase todas com protagonistas femininas: mulheres que recusam o cinismo e a brutalidade do mundo, mulheres que buscam a transparência. Novelas de mar e de vento, tocantes, surpreendentes em sua diversidade, realizam o que Le Clézio considera sua vocação como escritor: lançar-se à aventura "e arriscar-se, como o caçador inexperiente [...]. Não sabendo exatamente o que procura, ele se deixa arrastar pelo acaso e é possível que encontre uma surpresa inestimável". Como, sem dúvida, acontece aqui.

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    Higor01/08/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Lendo Nobel: sobre as dificuldades da vida e as motivações para continuar tentando

    Primeiro livro pós-Nobel, 'A história do pé e outras fantasias' ganhou popularidade no Brasil por conta de sua pomposa editora, Cosac & Naify, pois o autor, tanto aqui quanto no resto do mundo, não é tão cultuado assim, o que é uma pena. Reconhecido pela escrita culta e cuidadosa, além de ‘aventuras poéticas’, mencionadas pelo Nobel, o autor certamente merece ser conhecido. As novelas presentes nesse livro, então, podem ser uma ótima porta de entrada para quem tem o interesse de conhecê-lo, já que elas trazem a mesma essência que encontramos em seus livros mais famosos. Histórias cotidianas e atuais, sobre feminismo, relacionamentos abusivos, refugiados, extradição, aborto, mas com o ar saudoso de Le Clézio e sua memória afetiva, que parece embalar o leitor, feito uma canção de ninar. 'História do pé' – É através do pé de Ujine que o autor conta a história dela, desde o nascimento, até sua fase adulta, monótona em Paris, quando conhece Samuel e parte para um relacionamento nada saudável, já que o rapaz é totalmente o oposto de Ujine, a começar pela sola do pé. 'Barsa ou Barsaq' – A vida de Fatou muda drasticamente quando seu pai morre e ela tem que abandonar os estudos para cuidar e viver com sua tia avó. Em um Senegal pobre, machista e retrogrado, a jovem, junto com Mahama, uma paixão de longa data, decidem conhecer a rica Barsa, Barcelona, mas os desafios como o esperado, são muitos, e eles podem acabar conhecendo, na verdade, Barsaq, a morte. 'A árvore Yama' - Sem ter conhecido a avó Yama, Mari se alimenta das diversas histórias dela com uma árvore, e decide homeneá-la dando o nome a árvore. Os anos passam, e Mari passa a estudar na cidade. A Segunda Guerra Civil da Libéria então bate a porta, e a protagonista, juntamente com a amiga libanesa, tentam sobreviver com a ajuda mística da avó. 'L. E. L, últimos dias' – Com um embasamento biográfico, o autor mescla de maneira incrível os últimos dias de Letitia Elizabeth Landon, romancista e poetisa inglesa, que parte para o que hoje é Gana, por conta de seu marido, o governador George Maclean, com a cultura africana, alçando a história para patamares místicos e incríveis. Surpreendentemente, um dos melhores contos. 'Nossas vidas de aranhas' – Deslocado na coletânea, o conto traz aranhas em seu habitat natural, relatando a passagem do tempo através da condição humana, com todas as suas brevidades e fraquezas. 'Amor secreto' – Uma ótima novela narra à vida da freira Andrea, com seu programa de reeducação prisional, ao ler sua própria história para elas. Acontece que as sessões de leitura são cortadas, e problemas surgem. 'Felicidade' – O que mais me desagradou, este conto fala de maneira muito metafórica, com pitadas de distopia, em um mundo pós-apocalíptico em que a felicidade não existe mais, até que surge uma pessoa, Viram, que é tudo como o Messias, por contrapor as regras daquela sociedade. 'Yo' – Um belo conto, Yo é um jovem com distúrbios mentais que relata , com franqueza e até amor, sua relação com a mãe, o padrasto, assim como com os clientes do restaurante da família. Impossível não terminar a leitura com pesar e compaixão. 'Ninguém' – Outro conto que beira o experimental, o narrador é um espírito, o de um feto, que narra como sua mãe morreu em uma guerra civil, e aproveita para mergulhar nas tantas mortes que assolam o mundo. 'Quase apólogo' – Um ensaio despretensioso, ele serve tanto como uma dica para se escrever, como uma reflexão de como fatos e acontecimentos banais inspiram histórias incríveis; funciona também como uma declaração de amor do que a literatura representa na vida do autor. Um bom texto de encerramento. Enfim, viajando pela Europa e África para contar suas aventuras poéticas, Le Clézio desliza em alguns momentos, mas ainda assim não deixa de entregar um livro bem amarrado, que aquece o coração do leitor, mesmo com temas delicados e difíceis de digerir, e faz com que ele queira acompanhar mais a trajetória de cada um dos personagens, mesmo com todas as suas imperfeições. Este livro faz parte do projeto 'Lendo Nobel'. Mais em:

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    3.7 / 28
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    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Jean-Marie Gustave Le Clézio profile picture

    Jean-Marie Gustave Le Clézio

    Jean-Marie Gustave Le Clézio, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2008, nasceu no ano de 1940, em Nice, na França, mas suas origens também nos levam à ilha Maurício, onde nasceram seus pais. Formou-se em letras e, em 1963, aos 23 anos de idade, ganhou o prêmio literário Renaudot pelo seu livro Le procès-verbal. De lá para cá, publicou contos, novelas, romances, ensaios e livros de literatura infanto-juvenil. No Brasil, foram publicados os títulos: O deserto (Brasiliense, 1986), A quarentena (Companhia das Letras, 1997) e Peixe dourado (Companhia das Letras, 2001). Atualmente, vive entre Albuquerque, no Novo México, a ilha Maurício e Nice.

    51 Livros
    19 Seguidores

    Jean-Marie Gustave Le Clézio